Quioto – parte 1

8 mar

Final de ano de 2007, depois de uma experiência intensa com os estudos de japonês, 28 horas semanais de aulas puxadas, crises existenciais e choques culturais com outros povos, nada melhor que uma boa viagem pra relaxar. Graças à minha professora preferida, Ryokai Sensei, eu e alguns colegas planejamos uma rápida viagem de 3 dias para Kyoto. A antiga capital japonesa é digna de toda a fama que tem.

Se fosse permitido a você ir apenas a um lugar no Japão, sugeriria Kyoto. Até agora foi a experiência mais intensa e gratificante que tive durante minha estadia nessas bandas. Quem for viajar nas férias e tiver a oportunidade de ir a algum lugar, vá a Kyoto. Garanto que vai valer cada centavo. Principalmente se você gosta de belas paisagens, arquitetura, cultura japonesa e coisas antigas.

Quando digo coisas antigas, eu quero dizer antigas mesmo. Não quero ficar escrevendo um monte de detalhes técnicos e históricos nesse post, mas é incrível ver como a cultura japonesa atravessa eras. Ver de perto construções centenárias, e às vezes até milenares, em pé em todo seu esplendor num país que passou por queimadas, terremotos, furacões, guerra e 2 bombas atômicas é emocionante. É claro que muitos monumentos incríveis foram completamente destruídos durante a história, mas outros permaneceram e por eles dá para se ter uma pequena noção da grandiosidade de outrora.

Veja por exemplo esse bonsai, uma árvore muito bonita sem dúvida, mas em meio a um grande jardim quase passaria desapercebida se não fosse uma pequena placa dizendo que o bonsai tem 600 anos de idade! 6 séculos, mais velho que o meu país verde-amarelo. Não existia nem rascunho de Brasil quando algum monge bem paciente começou a entortar os gravetinhos dessa árvore. Incrível não?

Quando eu ouvia as pessoas falando em viagem já pensava que isso era coisa de gente rica, mas a verdade é que não sai tão caro assim. Depende, claro, das suas exigências. Hotel, transporte e alimentação são os maiores gastos. Porém dá para se conseguir lugares baratos mesmo em pontos turísticos como Kyoto. Nós mesmos compramos uma passagem que valia pelo dia todo e permitia o embarque ilimitado nos ônibus, isso por um preço simbólico. Dormimos num hotel para estudantes, chamado hostel por aqui, onde ao invés de quartos separados as pessoas dormem juntas, em beliches. Sai muito em conta, especialmente por que você só vai querer um lugar para tomar banho e dormir e vai fazer de tudo para passar o mínimo de tempo ali dentro, certo?

Desembarcando de Kyoto você nem reconhece o lugar que tanto se vê nas fotos. A estação JR Kyoto é enorme, com um hotel chique e um grande shopping center. Há também muitos restaurantes, alguns museus e lojas, por todo o lado. Saindo, vê-se uma cidade normal é até meio preocupante por que você não se sente em um lugar tão antigo vendo tanta gente, carros, prédios e casas por todos os lados.

Mas não se deixe levar pelas aparências, virando uma esquina qualquer pode se encontrar verdadeiros tesouros históricos a espreita. Muitos templos, belíssimos e cheios de interessantes contos.

Vou colocar apenas algumas fotos de alguns lugares que visitamos, ao todo tirei quase 300 fotos. Tudo me impressionava naquele lugar. Muitos lugares importantes e famosos, como o templo onde foi filmado o filme “Memórias de uma Gueixa“.

O templo fica entre as montanhas e o caminho por onde você anda é todo cercado com os tori, portais japoneses. Uma coisa interessante que eu não sabia é que nas costas deles há escrito uma prece da pessoa que os comprou. Sorte nos negócios, longevidade, ou pedidos de prosperidade são facilmente encontrados nessas orações. A grande maioria empresas. Quando maior o pedido, maior o tori.

Um lugar realmente mágico, dá pra sentir como era na antiguidade. Os monges continuam andando por lá e orando pela salvação do mundo usando os mesmos trajes e costumes de outrora. Há também muitos altares, que à primeira vista se assemelham a cemitérios.

Estarei postando mais para frente outras imagens da viagem. Foi tudo muito renovador e compensou cada centavo que gastei (que foram vários). Muitos turistas vindos de tudo quanto é canto apreciar a cidade. Dá para entender o por quê logo na primeira parada.

Só reclamo de ter apenas meu keitai para tirar fotos. Se eu tivesse um bom equipamento de fotografia, me divertiria horas por lá apenas me concentrando nos detalhes de cada construção. Pensando bem, acho que foi melhor pois assim pude ver mais coisas mais rapidamente.

ps: Desculpem-me os estrangeirismos, mas eu tento me ater à o que está escrito nas placas por aí, por isso eu usei “Kyoto” ao invés do aportuguesado “Quioto”.

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