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Obrigado YAMASA

21 mar

Hoje foi meu último dia como aluno da escola Yamasa. Não teve aula, pelo menos para as outras classes. A classe M teve 2 horas de revisão das expressões estudadas nas últimas semanas, afinal nosso professor foi Hikosaka-sensei, um adorável e paciente tutor sempre a esclarecer as mais absurdas dúvidas do idioma.

Foram 6 meses suando neurônios nessa escola, até minhas entradas no cabelo aumentaram. Sinal do uso de massa cinzenta. A experiência foi fantástica, recompensadora até o último instante. Poder aprender a me comunicar basicamente em japonês em tão pouco tempo e ao mesmo tempo encontrar pessoas de várias partes do mundo foi algo impagável. Tive vários momentos bons e ruins nesse lugar que com certeza vou lembrar por muito tempo.

Mas foi triste, como toda despedida entre pessoas que se gostam é. Mesmo sem ter toda aquela intimidade, depois de tanto tempo passando pelos mesmos apuros todo mundo acaba criando uma conexão de certa forma. Apertar a mão de um colega e ter na mente que o reencontro será praticamente impossível no futuro é de cortar o coração de qualquer um, garanto.

Olha a expressão da galera, no último dia antes de cada um tomar um rumo na vida (e no mundo)

Para essa data especial a escola prepara um “sayonara speech“, discurso de despedida, onde os alunos que estão terminando o curso agradecem à turma e aos professores tudo o que aprenderam no tempo em que estiveram no lugar. As pessoas choram, emocionadas, tanto na platéia quanto no palanque. Digo que aquela impressão de que orientais são frios, que não expressam emoção, é tudo balela! Os mais escandalosos foram os asiáticos, principalmente os professores.

M-class na sua última aula com a sensei-musa Kamiya (centro). Cada pessoa na foto é de um país diferente!

Particularmente não senti tanto a separação, pois ainda vou camelar por aqui algum tempo. E ainda estou inscrito no Desfile de Ieyasu daqui a algumas semanas. Por isso devo retornar pelo menos mais uma vez a Okazaki. Porém as pessoas não vão mais estar por lá, especialmente Hikosaka-sensei, que resolveu tomar outro rumo e encerrou sua última turma, a M, com olhos molhados de lágrimas e uma voz embargada dizendo: “De agora em diante continuem se esforçando nos estudos pessoal, muito obrigado” .

No final, eu com meu sangue latino fui abraçando todo mundo e beijando as garotas no rosto, pro desespero da minha sensei que disse “Acho que esse comprimento não vai fazer sucesso aqui no Japão“. Mas não pude evitar, afinal foi um beijo de despedida, sensei!

YAMASA – A torre de Babel

4 dez

Yamasa

Desculpem-me o contra-senso, mas é impossível não associar o Instituto Yamasa com a famosa história bíblica da torre onde todos os idiomas foram criados. O que na verdade não teve nada a ver com torre alguma, Babel era uma cidade-estado extremamente desenvolvida e rica, capital do império babilônico, e por isso recebia grande número de imigrantes vindos de várias partes do mundo, o que causava estranhesa nas pessoas menos informadas da época. Exatamente como grandes cidades, iguais a Tóquio hoje em dia.

Nesse modesto mas vistoso prédio funciona uma das melhores e mais famosas escolas de japonês para estrangeiros que existe hoje no Japão. Seguramente a mais qualificada na região de Aichi-ken, onde eu moro e uma das mais requisitadas pelo seu notório método de ensino. Os cursos para se aprender japonês se dividem praticamente em 2 tipos: o SILAC, que é voltado para quem quer desenvolver a fala rapidamente e não tem muito tempo ou interesse em aprofundar-se na língua escrita, e o AIJP e similares que vão mais a fundo, abrangendo a fala, escrita e leitura corretas do japonês.

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E é nessa escola que eu tenho empregado todo meu tempo livre, já que o curso que eu faço tem a duração média de 6 horas por dia, de segunda a sexta, e uma quantidade absurda de tarefas para se divertir em casa. Ainda não contente com tudo isso, eu ainda me inscrevi no programa mais puxado que a escola oferece, tendo um extra de 4 horas semanais de aula. Por isso pessoal, não estranhem meu sumiço repentino. Continue lendo