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Japão em crise

7 jan

Japan Crisis by ShigueS

A quantas anda a crise financeira na segunda maior potência econômica mundial?

O país do sol poente

Não é preciso ser analista financeiro, banqueiro, investidor ou qualquer expert em dinheiro para perceber que a situação financeira não está boa em nenhum lugar do mundo, principalmente no Japão, cuja economia está profundamente interligada com a dos EUA. Diz-se que quanto a “América” pega resfriado, é o Japão que tosse.

Longe de mim querer dar uma de entendido em dinheiro, até por que para isso é preciso ter dinheiro, coisa que não tenho. Mas posso tentar dar uma opinião do ponto de vista de quem está sentindo a crise na pele: o consumidor.

Os acessos que mais têm aumentado nos últimos dias aqui no blog têm sido os de busca de emprego. No Brasil, como a famigerada crise ainda não foi sentida direito, acredito que haja uma sensação de que nada mudou no exterior e que as coisas estão como eram antes. Vejo isso conversando com amigos e meus parentes. Na semana passada estive com uma amiga que veio do Brasil visitar sua família aqui no Japão. Ela me contou, surpresa, que em seu vôo haviam inúmeros brasileiros imigrando de mala e cuia, trazendo a família toda, para trabalhar muito provavelmente nas fábricas japonesas.

O Japão no momento NÃO é uma boa opção para quem pretende trabalhar!

Japan in Crisis

Homem deixa prédio em Tóquio, 17 de novembro. O Japão enfrenta sua primeira recessão em 7 anos. Foto: Reuters

Antes da crise a comunidade de brasileiros no Japão contava com um pouco mais de 300 mil pessoas. Em apenas pouco meses esse número diminuiu drasticamente e há estimativas de que um terço desse total saia do país até metade de 2009. Isso significa 100 mil brasileiros voltando sem previsão de retorno!

Essa fuga desesperada de pessoas gera um efeito donimó em toda estrutura formada para atender essa parcela de trabalhadores. Primeiro, todo o comércio que é voltado para esse segmento está perdendo grande parte da clientela. De um lado porque muitos já saíram do país, por outro, porque ninguém quer gastar mais do que o mínimo para se viver. Então lojas de produtos brasileiros, escolas, agências de emprego, advogados e todo serviço ligado com os brasileiros vai sofrer um forte impacto. Muitos devem fechar as portas e gerar ainda mais desemprego.

Porém, nem todo mundo têm o juízo, ou meios, de retornar prontamente para o Brasil e deixar tudo o que conquistou no Japão para trás. Todas as semanas vê-se nos jornais do país grandes montadoras japonesas, como a Toyota, demitindo centenas de pessoas. E trabalhadores temporários estrangeiros são os primeiros a serem cortados. Até mesmo pessoal japonês têm sofrido cortes avassaladores. Se não há chance nem para os próprios japoneses, imagine para os brasileiros!

Há relatos de pessoas morando na rua, em pleno inverno, por todas as cidades que abrigam brasileiros. Sem emprego, não resta opção a não ser sair do alojamento da empresa e se virar. Muitos se abrigam em hotéis e outros tantos estão até morando em baixo de ponte! Desesperados, muitos dependem de ajuda voluntária para poder comer e se proteger contra o frio. Há multirão para servir sopão às pessoas. Solidários, alguns japoneses ajudam como podem. Há até uma dona de hotel que cedeu os quartos às famílias desabrigadas brasileiras!

Ainda há um problema que nós é bem conhecido: aumento da criminalidade. Revoltados, nervosos e sem nenhuma ética moral alguns maus elementos vêm na crise uma desculpa para cometer atrocidades, como o caso das duas brasileiras que tentaram roubar uma loja de bebidas agredindo a dona que é uma idosa de 58 anos. Parece que há também ladrões de tocaia em frente a caixas-eletrônicos, prontos para atacar algum cliente desavisado. E a onda de violência não se restringe apenas aos japoneses, brasileiros também roubam brasileiros. Em tempos de dificuldade essas “qualidades” tendem a emergir com mais força. E são exatamente esses bandidos que não voltam para o Brasil!

Com a economia japonesa em contração é certo dizer que o Japão não é uma boa opção se você está deixando o lugar onde está atrás de trabalho, dinheiro e conforto. O governo japonês já tem seus próprios problemas, e não poucos nem tão pouco são simples. E o dever de um governo é proteger seu povo antes de mais nada. Brasileiros, em sua grande maioria, são mão-de-obra desqualificada, de fácil reposição. Além do problema da língua, que poucos se esforçam em aprender, ainda há o problema de muitos serem desleais com a empresa. O trabalhador brasileiro é caro, sua hora custa mais do que a de um chinês ou filipino. A manutenção também é cara porque o brasileiro precisa de ajuda para tudo que faz, já que não domina o idioma. Por essas e outras contratar orientais têm sido uma solução barata e sem a dor-de-cabeça que os trabalhadores brasileiros causam. Já é mais do que a hora de nós tomarmos consciência desses problemas e tentarmos resolvê-los.

No Japão não há nada para ninguém no momento! Por todo lado que vejo há alguém que perdeu o emprego ou está prestes a perder. Já vi mais de uma empresa fechar bem diante de meus olhos, revistas e jornais desaparecerem e pessoas de cargo importante indo trabalhar servindo mesas. Até mesmo um casal de amigos meus está deixando o Japão, não por ter perdido o emprego, mas por que cansou desse terror que rodeia tudo. Então eu me pergunto: O que diabos esse povo que está vindo com a família inteira para um país nessa situação está pensando? O Brasil está em condições bem melhores de trabalho que o Japão. Se não existe colocação para você no seu próprio país, o que te faz pensar que num país complexo e em crise como o Japão suas chances serão melhores? Não caia na conversa daqueles “agentes de emprego” (trambiqueiros) da Liberdade. Esse povo está desesperado e pronto para passar a perna no primeiro desavisado que aparecer. Se informe sobre a crise, leia os links que postei e veja por si mesmo que o que digo não é fantasia! Prometo que quando a situação clarear eu volto a postar, dando todas as dicas possíveis de como conseguir emprego, mas agora é hora de ficar quieto e observar a poeira baixar.

O sol se põe no Japão, mas ele deve surgir novamente. Quando? Ninguém sabe.

Ralando no Japão

3 fev

 

Vira e mexe sai uma reportagem interessante falando de como é realmente viver e trabalhar no Japão. Algumas vezes o texto deixa em aberto se a experiência é válida ou não. Na internet é possível encontrar muitos blogs de dekasseguis que relatam seu dia-a-dia, descrevem sua rotina e expõem seus pensamentos e conclusões sobre esse tema com sinceridade e precisão. Contudo, é difícil encontrar textos endosados pela impressa brasileira e publicados em larga escala para o público leigo.

A dica de leitura vai para Ralando no Japão, um diário escrito pelo repórter Maurício Horta narrando sua experiência no arubaito japonês. Se você está pensando em vir ao Japão trabalhar temporariamente, geralmente no período de férias, é bom dar uma lida em textos como esse para não levar muitos sustos. Não estou falando do Japão ou até mesmo do serviço em fábrica, mas sim da realidade das pessoas por aqui.

A Angústia

O dia na fábrica é eterno. A hora e meia do primeiro turno matutino flui como um aquecimento. Passa o primeiro intervalo e, diante da oferta do almoço, o trabalho não parece tão difícil. Mas nada nos espera senão as frituras do bandejão – aqui não tem sushi nem sashimi. Prato A, prato B, curry ou udon. No turno da tarde, o tédio torna-se implacável. Nessas horas, Iraci canta para si mesma músicas do padre Marcelo Rossi enquanto aperta parafusos de contadores de moedas; Danila, que está na linha há 6 anos, atrai os meninos com gracinhas, enquanto parafusa tocadores de dvd; Robô provoca os camaradas do depósito e Arnaldo põe-se a falar sem parar. Na linha de montagem, Henry Ford divorciou a atividade manual da intelectual. O operário não precisa pensar, só repetir operações predeterminadas. Para o arubaito, passar 6 dias por semana sem usar a cabeça é uma angústia insustentável. Repete-se a palavra motainai – “desperdício”. Que livro poderia ler enquanto encaixo o 1 800º processador? Sobre o quê poderia conversar enquanto sou obrigado a ouvir mais um causo de Votuporanga?

Buscando Empregos no Japão (em inglês)

1 fev

Devido à minha enorme empatia pelos desgostosos com o atual emprego, e também por aquelas almas desesperadas em conseguir uma colocação no mercado, estou postando algumas dicas úteis.

Uma coisa que ninguém pode reclamar é que não tem trabalho no Japão. O país é a capital do trabalho, todo mundo come, respira, veste e dorme trabalho 7 dias por semana. A questão : o que é preciso para se conseguir um bom trabalho no Japão? Continue lendo

Cartilha Consular e Guia para Trabalhadores Nikkeys

19 jan

 

Nunca é demais ter livros, guias ou cartilhas que contém informações a respeito dos seus direitos, deveres e benefícios. Muitos brasileiros se envolvem em problemas legais simplesmente por desconhecimento das regras. Geralmente os japoneses fazem questão de explicar tudo nos mínimos detalhes para que não haja confusão, porém essas explanações são dadas em japonês (obviamente).

Seja na hora de reaver seus direitos em uma demissão, pagar o médico, sofrer um acidente e até mesmo ter dúvidas quanto a impostos e afins a maneira de proceder está descrito em português nesses dois livretos que estão na imagem acima e que são gratuitamente distribuídos a trabalhadores brasileiros pelo Consulado-Geral do Brasil em Tóquio.

Não se deixe levar por comentários e falâncias de pessoas desinformadas ou mal-intencionadas. Informe-se sobre seus direitos e obrigações e contribua para melhorar nossa imagem na terra do sol nascente.

Empregos no Japão

14 jan

Não são poucas as vezes em que questões relacionadas a emprego, ou falta do mesmo, nos tiram o sono e nos enchem de preocupações. Mesmo quando devidademente empregados e trabalhando temos dúvidas se tudo está valendo apena. Às vezes chegamos à conclusão que devemos mudar o rumo. Nem que para isso tenhamos até que mudar de país.

A grande maioria dos brasileiros residentes no Japão geralmente deixa seu país natal por causa de problemas relacionados com desemprego, qualidade de vida, segurança e afins. Mas de todos os fatores, o trabalho é o principal. Maior renumeração, melhores condições de trabalho e melhoria no estilo de vida. Os atrativos para se trabalhar no Japão são muitos. Mesmo com o sobe e desce da economia japonesa, o país ainda continua forte e com boas oportunidades de emprego, mesmo para aqueles que não conhecem a língua direito.

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