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Centenário, Aniversário e um gostinho de limão

17 jun

ShigueS

18 de junho de 2008, um dia realmente especial. Não só por causa do Centenário da Imigração Japonesa que todo mundo deve estar careca de saber, mas também por uma data muito mais significativa: o dia do meu nascimento!

No Japão estamos vivendo no futuro, por isso para alguns esse post pode parecer adiantado. Porém pelo meu calendário já me tornei um senhor de 28 anos! Escrevi esse texto como se fosse um bate-papo em mesa de bar com amigos. Sinta-se a vontade para “participar” também. Puxe uma cadeira, peça mais uma cerveja e vamos lá!
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O outro lado da Moeda

4 maio

Depois de anunciar o já sentido atraso na entrega das moedas comemorativas do centenário, o Ministério das Finanças do Japão acaba de divulgar que todas as quase 5 milhões de moedas já produzidas serão refeitas e cunhadas com outra arte. Tudo por causa da imagem que remete ao monumento aos imigrantes japoneses, em Santos.

A concessão dos direitos autorais pertence ao artista que esculpiu a estátua. Pelo visto a imagem de sua obra foi usada sem sua devida notificação, o que gerou atritos com a Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil. Ao que parece o artista não concordou com os termos oferecidos e recusou a proposta oferecida pela Federação, vetando assim o uso da imagem de sua obra nas moedas.

A nova moeda (frente)

A nova moeda (verso)

Imagino que deva ter sido uma quantia irrisória para ele ter recusado uma honraria como essa. Também essa confusão explica o atraso na distribuição das moedas, que estavam previstas para sair em março. Essa vacilada por parte dos encarregados irá custar aos Ministério das Finanças japonês um prejuízo de cerca de ¥ 70 milhões a ¥ 80 milhões, aproximadamente 1,25 milhões de reais! A Federação ficaria responsável por qualquer problema nas negociações, mas acredito que ela não terá como arcar com um prejuízo dessa grandeza.

Agora eu me pergunto: Será que ofereceram essa exorbitância de dinheiro ao escultor? Não seria mais barato dar parte dessa grana pro cara ao invés de ter que refazer tudo de novo?

Graças à toda essa bagunça só teremos as ditas moedas lá pelos meados de junho, querem entregar no dia do centenário, 18. Aliás, dia 18 de junho também é meu aniversário, então se alguém quiser me presentear com uma das moedas… fique à vontade! 😛

Fonte: IPC digital

Shigues goes TOKYO!

3 abr

Não sei se alguém percebeu a mudança no blog, principalmente na foto do header. O novo visual é para comemorar a nova fase da minha vida: TOKYO! Agora minha nova e definitiva casa no Japão (se Deus quiser).

Shigues goes TOKYO!

Não dá pra descrever a sensação de finalmente poder dizer que moro na capital japonesa. Para mim é a realização de um sonho que começou lá na tenra idade, enquanto assistia à Spectre Man e outros seriados japoneses como Jaspion sempre mostrando Tóquio como o centro do Japão e do mundo. Depois com animes, mangás e toda aquela tralha que criança adora martelando na minha sub-consciência a fascinação pela metrópole só aumentou.

Oficialmente moro em Tóquio desde o final de março, no momento em que escrevo esse post completa-se exatamente 2 semanas que vivo na metrópole, estou adorando poder andar pelas ruas e ver gente de novo. Apesar de ser paulistano e estar acostumado com trânsito, metrô lotado e multidões nas ruas todas as manhãs, fico maravilhado com todo o movimento daqui. Realmente há muita gente indo e vindo, estima-se que 8 milhões de pessoas vivam dentro da área metropolitana de Tóquio. Nesse total soma-se ainda 2,5 milhões de transeuntes que vêm à cidade, estudantes e trabalhadores assalariados em sua maioria.

Outra grande novidade é que estou de emprego novo! Depois de viver com o cinto apertado por 6 meses no interior do Japão, eis que posso agora colher um pouco dos frutos desse esforço com um bom serviço. É uma empresa de telefonia e o cargo é na minha área de formação. Poderei dar continuidade à minha carreira como designer e de quebra ainda vou continuar com os estudos da língua japonesa.

A Brastel é uma empresa formada em 1996 por dois nikkeis brasileiros e que atende o mercado de telefonia voltado à estrangeiros vivendo no Japão e em mais de 10 outros países no mundo todo.

Por conta dessa novo estilo de vida e rotina os posts estão meio curtos e mais escassos (ainda). Peço desculpas a todos e prometo que estarei me esforçando para relatar todos os acontecimentos marcantes dessa nova fase da Viagem.

Não percam nos próximos posts: COMO É VIVER EM TÓQUIO! Acordar, pegar metrô, trabalhar, comer, sair e, é claro, se divertir!

Shigue Suando

23 mar

Essa semana foi toda para os preparativos do Desfile que farei no dia 06 de abril. Quando me inscrevi para participar do dito cujo não imaginei quantas coisas eram necessárias para assumir o cargo de samurai. O pessoal da cidade de Okazaki leva a parada super a sério e fazem tudo com o afinco japonês. Depois de discursar para o prefeito e um monte de gente influente, agora tive que encarar os treinos de montaria a cavalo, cerimônias e ensaios.

Na quinta feira fui com Sakai-san (o senhor que organiza o desfile faz muito tempo) numa espécie de hipódromo. Não sei qual é a palavra certa, mas o lugar ficava afastado da cidade e tinha um cercado onde se podia praticar cavalaria. Bem aconchegante por sinal. Tomamos chá e eu pude explicar com meu nihongo torto que estávamos no ano do centenário da imigração e eu estava participando do desfile com muito orgulho disso tudo.

O salão do hipódromo - um lugar aconchegante para tomar um bom chá e apreciar as montanhas de Okazaki.

Os japoneses ficaram espantados quando montei, para eles é muito raro ver alguém que já tenha tido tal experiência. Como minha mãe é mineira, sempre íamos ao interior passear e eu, como todo moleque pentelho, adorava brincar com os cavalos. Duro foi explicar isso para os senhores que me assistiam, acho que eles entenderam que no Brasil andar a cavalo é normal! Talvez por que lá seja tudo mato mesmo. (Há muitas pessoas que pensam assim)

Fazia algum tempo desde que montei pela última vez, no Brasil, um pouco antes de embarcar para o Japão. Fiquei com receio de que os cavalos japoneses tivessem temperamento diferente dos mineiros. Como eu não queria dar vexame no dia da parada resolvi aceitar o convite e ir praticar por alguns minutos. Sem susto: o montar é exatamente igual aqui também (pelo menos para mim, que sou leigo). Eu consegui até correr, mas eu queria mesmo era empinar o cavalo!

ShigueS tem sangue Samurai nas veias!

No domingo de manhã, fomos todos nós, participantes principais, participar de uma celebração pela paz mundial dada no templo que fica ao lado do castelo da cidade. Ali assisti a uma sessão religiosa muito interessante, provavelmente xintoísta. O monge entoou orações pedindo pela paz no mundo e pelo sucesso do desfile. Ao final tomamos um pouco de saquê e ganhandos pequenos amuletos para trazer sorte.

Depois disso fomos a um hotel nas redondezas para o desjejum. No lobby havia recém-casados que estavam trajados com a tradicional vestimenta de casamento japonesa, muito bonita. A noiva com seu enorme chapéu branco apontou para nós como quem reconhecia algum artista de televisão. Subimos alguns andares e adentramos uma sala com uma mesa elegante, onde estava servido o almoço. Comida típica japonesa!

Nem preciso dizer que estava uma delícia. Claro, tem gente que não gosta de sushi e frutos do mar, mas a culinária japonesa é considerada umas das melhores do mundo e eu concordo. Haviam vários executivos da Mitsubishi Motors no almoço. O cargo de honra do desfile, Tokugawa Ieyasu, foi oferecido para um dos diretores da empresa na região. Na fábrica que ele dirige faz-se carros e turbinas do boeing 747. Foram todos mundo gentis todo o momento, na despedida eles nos presentearam com miniaturas de carros da Mitsubishi.

Depois de se estufar com a comida fomos levados até o centro esportivo de Okazaki, local que já estive em diversas ocasiões por conta dos treinos de aikido. Até encontrei meu sensei e meus colegas de treino por lá e pude me despedir. Havia uma placa apontando “participantes do desfile Ieyasu” que segui, entrando num enorme salão. Ali grande parte dos participantes estava se preparando para seguir o roteiro, tudo muito bem planejado, obviamente.

O evento vai contar com mais de MIL participantes! Incluindo crianças pequenas, mulheres e idosos. Vamos percorrer 4km pela cidade em plena primavera durante aproximadamente 2 horas, culminando no castelo onde teremos uma celebração e fogos de artifício ao final. Meu lugar, como Ii Naomasa, será à direita do Shogum durante todo o evento, no final brandaremos sacando nossas espadas samurai. Eu acho que vai ser muito divertido!

Fora eu, mais 5 ou 6 alunos da Yamasa irão participar do desfile. Quem tiver a oportunidade por favor não perca. Será no dia 6 de abril, domingão, às 13h na estação Higashi Okazaki da Meitetsu! Venham ver o ShigueS pagar mico de general samurai e não esqueçam suas câmeras fotográficas. Depois me mandem fotos, por favor!

Festival Brasileiro em Toyota

14 mar

O que é Toyota? Garanto que muita gente acha que é apenas uma marca de carro, tipo Ford ou GMC. Porém, é também o nome de uma das cidades mais importantes de Aichi-ken, exatamente por ser a casa da multinacional automobilística. Nessa região do Japão é onde está concentrada a maioria da comunidade brasileira, uma vez que as montadoras ficam instaladas próximas às matrizes.

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A Toyota, assim como suas empresas-parceiras, são conhecidas pelos altos salários que pagam aos seus empregados. Acredito que o mesmo valha para os dekasseguis brasileiros que trabalham em suas linhas de montagem. Já a cidade de Toyota é uma das mais ricas e prósperas da província.

Agora a prefeitura de Toyota, juntamente com o Comitê de Organização do Projeto de Comemoração Brasil-Japão e outras entidades, estão organizando o “Viva! Brazil day!“, que será um evento com o propósito de promover a cultura brasileira no Japão.

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Os interessados poderão participar GRATUITAMENTE do evento, equipados com estande, painel, mesa e até mesmo vaga no estacionamento. Porém corram! As inscrições vão somente até dia 20 de março, semana que vem. Eu acabei esquecendo o panfleto no meio do calhamaço de impressões da escola, por isso o post atrasou. Abaixo todos os detalhes necessários.

Os scans estão com qualidade suficiente para impressão. Aproveite!

A força do Centenário

5 fev

Um belo presente para os nikkeys é o novo “mascote” criado pelo famoso cartunista brasileiro Maurício de Souza para celebrar o centenário da imigração japonesa. O personagem foi batizado com o nome de “Tikara” (lê-se tikará), que significa força em japonês. Achei meio estranho o nome, mas o desenhista diz que queria evitar nomes próprios e usar uma palavra com força e autenticidade, ilustrando assim as qualidades dos japoneses.

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Ainda não sei se o Tikara vai ser apenas um mascote temporário ou se vai ser integrado à Turma da Mônica. Vale lembrar que os gibis do Sr. Souza já tem um personagem permanente representando os japoneses nas historinhas. Outra curiosidade é que Maurício é casado com uma nikkey, Alice Takeda, e o filho do casal inspirou o design do personagem.

notícia do centenário2008

Nikkeys de 1962

10 jan

Para quem gosta de ler sobre a aventura da imigração, recomendo o site Aruzentina Maru. Site esse que reúne diversos artigos, biografias, relatos e fatos interessantes referentes aos nikkeys de ontem e de hoje. O site foi originalmente concebido pelos filhos de japoneses que desembarcaram do navio Aruzentina Maru em 1962 e tem como proposta reunir fotos, textos e discuções acerca desses e de outros nikkeys. Há dicas de como trabalhar de modelo, fazer negócio com japoneses e outras coisas de interesse para quem está no Japão ou para quem apenas se interessa pela cultura.

Se você ficar meio perdido, talvez seja interessante começar pelo índice de “biografias” que nada mais é que a coletânea de relatos que estão armazenados no site. Apesar de serem um pouco antigos, os textos são bem legais. Boa viagem!

Exposição – JAPÃO: Um perto distante

10 jan

 

Esse ano quem está no Brasil que se segure. Para quem ainda não sabe completam-se os 100 anos da imigração japonesa ao país. Como é de costume em praticamente todos os eventos culturais relacionados ao Japão, muita gente vai querer tirar o máximo proveito para lucrar com isso. Festa pra lá, festival pra cá, eu aposto que vai ter celebração em tudo que é lugar, até por que o pessoal, além de adorar uma festança, é chegado na culinária nipônica. Eu mesmo viva me enfiando em feirinhas só para comer guioza, tempura e udon (agora não tem mais tanta graça já que é meu arroz com feijão).

Para os chegados em cultura, haverão diversas mostras gratuitas sobre o tema. Apesar da data ser comemorada somente em junho, mês do meu aniversário, os mais apressadinhos já podem conferir uma das primeiras exposições do ano. O texto é auto-explicativo. Aproveitem!

O Banco Nossa Caixa apresenta a partir de 10 de dezembro a exposição “JAPÃO: Um perto distante“. A mostra é uma homenagem do Banco ao Centenário da Imigração Japonesa, a ser comemorado em junho do próximo ano. Os visitantes poderão conferir obras de 13 jovens artistas, que abordam o Japão a partir de um olhar ocidental. A exposição acontece no Espaço Nossa Caixa Arte e Cultura até 11 de janeiro. A entrada é gratuita.

As 17 obras da exibição apresentam influências distintas. São fotografias, xilogravuras, impressões digitais, lápis de cor, grafite, estêncil e cerâmicas que reúnem elementos da cultura japonesa pop, contemporânea e tradicional. As peças foram espalhadas harmonicamente num único ambiente e demonstram alguns dos elos entre os dois países.

Com a exposição “JAPÃO: Um perto distante“, a Nossa Caixa reverencia a comunidade japonesa, que há cem anos contribui para o desenvolvimento econômico e cultural do país. A mostra é uma das primeiras atividades promovidas na cidade de São Paulo em comemoração ao centenário da imigração japonesa.
Espaço Nossa Caixa Arte e Cultura
De 10 de dezembro a 11 de janeiro
Rua Álvares Penteado, 70 – 2º Mezanino
Segunda a sexta-feira, das 10h às 16h
3244-6838/6839
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