Centenário, Aniversário e um gostinho de limão


ShigueS

18 de junho de 2008, um dia realmente especial. Não só por causa do Centenário da Imigração Japonesa que todo mundo deve estar careca de saber, mas também por uma data muito mais significativa: o dia do meu nascimento!

No Japão estamos vivendo no futuro, por isso para alguns esse post pode parecer adiantado. Porém pelo meu calendário já me tornei um senhor de 28 anos! Escrevi esse texto como se fosse um bate-papo em mesa de bar com amigos. Sinta-se a vontade para “participar” também. Puxe uma cadeira, peça mais uma cerveja e vamos lá!
Leia mais »

家康行列 2008 – ShigueS vira General Samurai


Todos os anos na cidade de Okazaki, durante os primeros dias de primavera, acontece um evento peculiar chamado “Ieyasu Parade“. Okazaki é uma cidade de certa importância histórica no Japão por ser o lugar onde nasceu o primeiro grande shogun, Tokugawa Ieyasu, que dominou todos os outros lordes de sua época e unificou o país, trazendo mais de 250 anos de paz, onde a sociedade japonesa cresceu economicamente e, principalmente, culturalmente. É nessa época que foi criada a maioria das artes japonesas conhecidas no mundo todo.

Por esse grande motivo de orgulho, diversas entidades da região organizam anualmente esse evento, que consiste num desfile de armaduras samurais, bandeiras, kimonos e outros objetos usados na época que Tokugawa obteve sua glória. A idéia é reproduzir o mais fielmente possível como foi o retorno vitorioso do shogun depois da batalha de Sekigahara, que selou o destino da nação.

Acontece que as inscrições para esse desfile são super concorridas, uma vez que somente algumas vagas são abertas ao público. Muitas pessoas se inscrevem no intuito de virar um cavaleiro samurai ou uma linda princesa vestida de yukata por um dia. Há um júri, formado por pessoas de importante cargo na região, como gerentes de empresas, diretores de escola, reitores e afins, que decide quem vai ocupar essas vagas.

Virou costume participarem do desfile alguns estrangeiros malucos que gostam de samurais. Parece que tem bakkagaijin disposto de tudo para aproveitar as peculiaridades da cultura japonesa. Bem, adivinha quem se alistou?

家康行列

Aposto que hoje de manhã muita gente da escola pulou da cadeira quando abriu o jornal. Eis que lá está o velho ShigueS com seu sorriso maroto. Na notícia, ainda quentinha, os escolhidos para desfilar vestidos como heróis de guerra do passado. Eu marquei as passagens onde meu nome é mencionado. 2 vezes! Ali diz que Ii Naomasa será “interpretado” por Gabriel Shiguemoto, um brasileiro (!).

Olha aí os bastidores, as crianças competiram para a posição de neto de Ieyasu. Um dos jurados perguntou quais eram as matérias que elas mais gostavam na escola, história foi citada como “chata”. Bom saber que criança é criança em qualquer lugar.

Pois é, o espírito dos meus ancestrais devem estar felizes com tudo isso. Aguardem mais notícias sobre o evento em breve. No dia desse concurso eu fui entrevistado pela rádio e convidado para participar de um programa de tv local. Se eu conseguir os datos eu coloco aqui no blog. Vou caprichar para fazer bonito nesse desfile, com minha armadura vermelha vou brandar minha katana e fazer a maior algazarra. Pode deixar!

Dia das Namoradas


Hoje no Japão é o dia dos namorados inverso. Como assim ao contrário? Eu sei, mais uma desses malucos. Pois é, mês passado foi o valentine’s day, conhecido no Brasil como “dia dos namorados”. Porém, ao contrário do tupiniquim, a data é celebrada um pouco diferentemente. No dia dos namorados, 14 de fevereiro, são as mulheres que dão presentes aos homens. Basicamente chocolate. Nós, garotões, não precisamos dar nada em troca. E isso não vale só para sua namorada, TODAS as mulheres que você conhece te dão ao menos um bombonzinho. Legal né? Realmente, o país dos samurais (ou seja, machista).

Só que, claro, no dia 14 do mês seguinte, hoje, os homens têm que retribuir o favor e presentear TODAS as mulheres que lhes presentearam no valentine’s. Eles chamam a data de White Day. MAS, e isso é muito importante, se você ganhou um simples bombonzinho, vai ter que devolver 3! Ou seja, o triplo. Por isso torça para não ganhar um carro no dia dos namorados, senão você vai ter que comprar um ônibus no mês seguinte.

Os japoneses começaram com essa moda em 78, século passado, e até os dias de hoje a tradição mantém-se firme (droga!). É interessante notar que outros países da Ásia também têm costumes semelhantes, como a Corea e a China.

Eu, como sou uma pessoa muito boa de memória, esqueci completamente da data e fui para a escola sem nada para dar. Encarei diversos rostos ansiosos por seus chocolates e suas mãos estendidas na minha direção. Gomen ne! Prometo que semana que vem eu levo chocolates pra todas! (isso se eu não me esquecer de novo…)

Nikkeys de 1962


Para quem gosta de ler sobre a aventura da imigração, recomendo o site Aruzentina Maru. Site esse que reúne diversos artigos, biografias, relatos e fatos interessantes referentes aos nikkeys de ontem e de hoje. O site foi originalmente concebido pelos filhos de japoneses que desembarcaram do navio Aruzentina Maru em 1962 e tem como proposta reunir fotos, textos e discuções acerca desses e de outros nikkeys. Há dicas de como trabalhar de modelo, fazer negócio com japoneses e outras coisas de interesse para quem está no Japão ou para quem apenas se interessa pela cultura.

Se você ficar meio perdido, talvez seja interessante começar pelo índice de “biografias” que nada mais é que a coletânea de relatos que estão armazenados no site. Apesar de serem um pouco antigos, os textos são bem legais. Boa viagem!

Inspiracional


Todos nós ficamos desanimados em certo momento da nossa jornada. Pensamos em desistir, ficamos em dúvida se nosso objetivo vale o esforço e ás vezes até nos questionamos se é realmente isso que queremos da vida. Acho isso normal, é uma espécie de “fadiga espiritual”. Nessas horas precisamos encontrar forças, alimentar nossos sonhos. Aí é que está a mágica que cada um encontra nesses difíceis momentos que todos passamos. Uns se voltam a Deus, devotos de todo o coração pedindo por uma luz, outros caem em desvairadas boemias pela noite sem se importar com o amanhã, outros ainda tiram um tempo para refletir e esquecer de si. O que eu faço? Eu procuro pensar “como Itto Ogami resolveria isso?

Hahahaha… poxa, ás vezes acho que seria bem mais fácil resolver tudo na porrada. Mas a vida não é bem assim, não é? Eu procuro ver o samurai como uma parábola, seus desafios como situação figurativas e suas vitórias como ideais. O que importa mesmo é o sentimento, de vencer, de lutar, de não desistir. あきらめない – não desistir em japonês, continuar em frente. Eu aprendi ouvindo meu sensei no 合気道 – aikido – e da minha sensei no Kumon. Eles vivem dando palavras de incentivo como essa.

Estou me sentindo “descolado” hoje, graças a esse post eu resolvi procurar na wikipedia informações sobre esse vídeo que postei. É claro que eu já sabia que se tratava da versão cinematográfica de “Lobo Solitário“, inspirada pela minha série favorita de mangá, ou melhor, gekiga. O que eu não sabia é que existia pouca informação em português na maior enciclopédia da internet (talvez do mundo). Isso me inclinou a fazer um cadastro e a colocar material sobre o quadrinho. No caso eu queria falar sobre Itto Ogami, que é o bushi que aparece no filme, mas acabei passando horas traduzindo termos essenciais existentes nos quadrinhos japoneses assim como grandes autores e artistas. Portanto, eu estou colaborando para disseminar cultura gratuitamente na internet! Acho que essa é a bandeira mais bonita da nossa geração, juntamente com a conscientização do balanço ecológico mundial (vide aquecimento global e movimento em defesa dos animais, o homem responsável pelo bem estar da natureza) e o movimento contra a fome mundial. Um dia ainda vou fazer alguma diferença nessas outras vertentes também.

Visita a Tokyo


ShigueS em Tokyo

Essa é velha. Na verdade, foi a primeira coisa que fiz assim que cheguei ao Japão: visitei Tokyo. Foi muito inspirador ver todo aquele movimento e pensar que um dia eu poderei estar entre aquele povo, trabalhando e ganhando a vida numa das maiores metrópoles do mundo. A parte ruim é que eu gastei todo o (pouco) dinheiro que havia trazido do Brasil em apenas 2 dias! Mas deu pra fazer bastante coisas, andei bastante por alí e pratiquei um pouco do meu nihongo de índio, se a coisa apertava, apelava pro inglês. Foi bem divertido!

Loucuras

Essa viagem me deu muitas forças para encarar o Japão, que pode parecer um enorme monstro pronto para te devorar. Sempre que as coisas por aqui se complicam, eu penso em Tokyo, então tudo parece valer a pena. Não só pelo lugar em si, mas lá está o meu objetivo no Japão. Que são dois: Aikido e Desenho. Tanto o dojo onde pretendo praticar o Aikido quanto a escola de desenho que pretendo cursar se localizam em bairros da capital japonesa. Uma pena que seja a cidade mais cara do mundo para se viver, apesar de eu achar que vale cada centavo!

shinkansen

No processo, acabei fazendo muitas coisas que muitos brasileiros ainda não tiveram a chance de fazer, mesmo morando anos no Japão. Andar de shinkansen (trem-bala), passear em Tóquio, interagir de igual para igual com os japoneses e se encontrar andando pelas ruas de shinjuku (centro de Tokyo), tudo isso em 1 semana de Japão! Realmente é muita sorte. Nesse dia, o Japão abriu um breve sorriso para mim e eu pensei “É aqui mesmo onde eu deveria estar“.