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Rota de fuga

15 mar

Com tremores acontecendo com cada vez mais frequência, e a televisão repetindo que o grande terremoto de Kanto está chegando, não há quem não se desespere. Somos obrigados a adquirir um kit para emergências e deixá-lo sempre ao alcance. Existe uma infinidade desses kits à venda na internet. A faixa de preço varia de ¥500 (em torno de R$10, o que eu comprei) até ¥50.000 (R$1,095!). Dentro deles há coisas que você nem imaginava que existiam, como manta térmica de alumínio, rádio-lanterna-alarme recarregável a manivela, biscoitos nutritivos longa-vida e mais. Muito mais!

Essa semana no escritório fizemos uma simulação preventiva em caso de desastres. O exercício consistia no seguinte: ao primeiro sinal de terremoto forte, deveríamos entrar debaixo da mesa e nos proteger. Assim que o tremor perde a força, tínhamos que colocar o capacete, deitar a torre do computador para que ela não tombasse e destruísse os dados, e pegar a bolsa e casaco para depois aguardar instruções do responsável pelo grupo. Aconselha-se sempre a se permanecer dentro dos prédios, mas como na empresa há muitos estrangeiros, praticamos também a rota de fuga do prédio até a área de evacuação do nosso bairro.

Como todos aqui sabemos, o maior problema vem depois do terremoto. Ruas intransitáveis, sistema de transporte parado e celulares mudos só ajudam a aumentar o pânico. Fomos orientados a voltar para a empresa e permanecer lá até a situação normalizar. Há estoque de água e comida por 3 dias, além de equipamentos especiais para situações de emergência. E eu tenho meu estoque particular de arroz e água (os biscoitos eu sempre como).

Lembro-me de que quando nos abrigamos naquele parque, no ano passado, haviam poucas pessoas. Talvez mais um ou dois grupos vindos de empresas vizinhas. Acredito que a maioria dos japoneses esteja acostumada a ficar dentro de algum lugar. Mas não um estrangeiro. Na hora a vontade que se tem é de sair correndo, não importa para onde. Mas numa dessas você pode ser atingindo por estilhaços de janela, placas, fios de alta tensão e pode até mesmo dar de frente com o tsunami.

E você? O que faria?

UPDATE: A pedido da empresa fiz algumas alterações no texto e retirei uma foto que continha colegas de trabalho.

Rabiscos na ExpoBusiness 2008

1 jun

No final de semana dos dias 24 e 25 de maio participei da ExpoBusiness em Nagóia. O evento é o maior e mais respeitado evento promovido dentro da comunidade brasileira no Japão, com expositores diversos incluindo bancos brasileiros e empresas japonesas. O convite foi feito pela editora JBC com o propósito de promover o mangá entre a juventude brasileira através de um workshop de desenho.

Shigue-sensei mostra como aprimorar a arte de caricaturizar seu colega da escola. A feira teve público recorde nesse ano, 16 mil visitantes.

Eu fui no sábado pela manhã, peguei um trem bala de Tóquio e cheguei na feira 3 horas depois. Como ainda era “cedo” (10 horas da madrugada) o movimento ainda estava fraco e pude aproveitar para conhecer o pessoal da editora. Engraçado pois no Brasil eu costumava colecionar muitos mangás da JBC e nunca havia me passado pela cabeça poder trabalhar, mesmo que por 1 dia, com a equipe responsável pelas minhas horas de leitura no metrô de SP. Muito simpáticos, me apresentaram toda a equipe e eu pude ver um pouco dos novos produtos que estão sendo lançados.

Leia artigo publicado sobre o evento no Jornal Tudo Bem.

Nas horas vagas consegui dar umas voltas e aproveitei para rever vários ex-colegas de trabalho. Encontrei uma colega da YAMASA, a Uehara-san, e ainda um dos participantes do desfile samurai. Depois de 1 ano morando em Aichi acabei fazendo muitos contatos, legal poder rever todo mundo mais uma vez.

Quanto ao meu trabalho, foi bem revigorante. Apesar do cansaço com a semana corrida e a viagem, consegui captar atenção de alguns jovens para as técnicas do desenho. Com a ajuda de um bloco de papel apoiado sobre um cavalete expliquei as noções básicas e fundamentos do desenho. Foi tudo bem simples, mas a experiência foi demais.

Acredito que vivendo no Japão muitas pessoas esquecem de dar tempo àquelas pequenas coisas da vida que fazemos por prazer; como pintar, modelar, costurar, criar uma planta e coisas do gênero. Acho que muitos pais viram que a simples atividade de desenhar pode entreter e educar tão bem quanto qualquer atividade escolar. E assim sendo, pude voltar para casa com a agradável sensação de MISSÃO CUMPRIDA!

Eu com meus Botões

6 maio

Já está na hora de escrever sobre minha nova rotina na capital japonesa. Apesar de já ter escrito 3 posts sobre o acontecimento sinto que está na hora de dar mais alguns detalhes. Não só sobre as coisas que faço, mas também um pouco sobre o que estou pensando e sentindo no momento em que escrevo. Um post de reflexão sobre tudo o que vem rolando na minha vida por essas bandas, no mesmo estilo do de ano novo. Esse é para quem gosta de ler.

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Vagões para Mulheres – Eles existem!

1 maio

Num dia qualquer, depois de um árduo despertar, eis que me encontro parado na plataforma de embarque a esperar meu trem como de costume. Sem novidades ele chega LOTADÍSSIMO com japas saltando pelas janelas. Como eu pego o sentido bairro-centro na hora do rush eu sempre me estrepo para entrar nos vagões. Não tenho muita intimidade com os japoneses para entrar já encoxando a galera na maior (ao contrário deles).

Como sou muito atento, não reparei no singelo adeviso dizendo “Mulheres Apenas” na plataforma. Pior que como estava escrito até em inglês nem deu pra disfarçar e fazer aquela cara de “mas eu não entendo kanji!”

Bem, eis que nesse belo dia, como todos os outros, estou a procurar uma brecha para entrar no trem. Na hora que ele vem parado eu aproveito para ver qual porta está menos estufada de gente, e encontro. “Opa, um vagão quase vazio!” logo pensei mal contendo a emoção.

Além do sutil adesivo de 2x3m rosa-choque colado em frente a porta do trem eu também não notei que só haviam mulheres por todos os lados (talvez tenha pensado que ainda estava sonhando) 

Todo eufórico da corrida para pegar o vagão premiado, fui adentrando no recinto sagrado feminino sem me dar conta que era o único homem ali. As mulheres gentilmente se desviaram da entrada permitindo minha rápida entrada e acomodação em um dos apoios do trem. Notei alguns olhares curiosos de algumas moças, mas pensei que devia ser meu charme aterrador que lhes despertara a atenção. Isso durou 20 segundos.

Enquanto me encontrava no paraíso muçulmano tentava decifrar o adesivo em minha frente escrito em japonês, a frase “Não perdoe os maníacos” me chamou a atenção que algo não estava harmônico na minha presente situação

De repente, foi como naqueles filmes onde todas as peças se encaixam subitamente, resolvendo todo o mistério da trama. Flashes de memória mostravam o adeviso pink escrito “apenas mulheres“, os estranhos olhares a mim dirijidos pelas moças, mais adevisos pink pelo vagão onde estava, a imagem do maníaco da impressão a minha frente… tudo fez sentido e eu entrei num breve choque para depois saltar às pressas para fora do vagão antes que a porta se fechasse. Puts! Que vexame!

Esse é o trem que pego num dia “tranquilo”. Não é de se estranhar que tenha tantos ataques de pervertidos, o bate-coxa é praticamente impossível. Por isso na hora de embarcar procure ficar perto das japinhas ter muito cuidado!

Eu já tinha ouvido falar desses vagões exclusivos, mas nunca tinha visto de verdade. Como agente ouve muita lenda hoje em dia, eu só acredito vendo. Pois é, aí está uma prova real que eles existem mesmo. Estou falando dos pervertidos japoneses, claro. Se não houvessem tantos casos não precisaria ter um vagão assim.

Aliás, é por isso que até os celulares japoneses emitem um efeito sonoro bem alto e característico quando batem foto. Imaginem um estrago se um desmiolado armado com um celular com câmera 5.1 megapixel embutida do tamanho de um maço de cigarros numa estação do metrô?

Gostaria de deixar claro que essa foto foi tirada apenas para carácter ilustrativo e não faz parte de um acervo de imagens voyeuristas que coleciono.

Watashi no Itiniti – Meu dia

30 abr

Esse é meu primeiro post ilustrado, fazia tempo que estava querendo fazer algo assim. Fiz nos intervalos entre uma impressão e outra, caneta bic. Espero que curtam!

Shigues goes TOKYO!

3 abr

Não sei se alguém percebeu a mudança no blog, principalmente na foto do header. O novo visual é para comemorar a nova fase da minha vida: TOKYO! Agora minha nova e definitiva casa no Japão (se Deus quiser).

Shigues goes TOKYO!

Não dá pra descrever a sensação de finalmente poder dizer que moro na capital japonesa. Para mim é a realização de um sonho que começou lá na tenra idade, enquanto assistia à Spectre Man e outros seriados japoneses como Jaspion sempre mostrando Tóquio como o centro do Japão e do mundo. Depois com animes, mangás e toda aquela tralha que criança adora martelando na minha sub-consciência a fascinação pela metrópole só aumentou.

Oficialmente moro em Tóquio desde o final de março, no momento em que escrevo esse post completa-se exatamente 2 semanas que vivo na metrópole, estou adorando poder andar pelas ruas e ver gente de novo. Apesar de ser paulistano e estar acostumado com trânsito, metrô lotado e multidões nas ruas todas as manhãs, fico maravilhado com todo o movimento daqui. Realmente há muita gente indo e vindo, estima-se que 8 milhões de pessoas vivam dentro da área metropolitana de Tóquio. Nesse total soma-se ainda 2,5 milhões de transeuntes que vêm à cidade, estudantes e trabalhadores assalariados em sua maioria.

Outra grande novidade é que estou de emprego novo! Depois de viver com o cinto apertado por 6 meses no interior do Japão, eis que posso agora colher um pouco dos frutos desse esforço com um bom serviço. É uma empresa de telefonia e o cargo é na minha área de formação. Poderei dar continuidade à minha carreira como designer e de quebra ainda vou continuar com os estudos da língua japonesa.

A Brastel é uma empresa formada em 1996 por dois nikkeis brasileiros e que atende o mercado de telefonia voltado à estrangeiros vivendo no Japão e em mais de 10 outros países no mundo todo.

Por conta dessa novo estilo de vida e rotina os posts estão meio curtos e mais escassos (ainda). Peço desculpas a todos e prometo que estarei me esforçando para relatar todos os acontecimentos marcantes dessa nova fase da Viagem.

Não percam nos próximos posts: COMO É VIVER EM TÓQUIO! Acordar, pegar metrô, trabalhar, comer, sair e, é claro, se divertir!

Festival Brasileiro em Toyota

14 mar

O que é Toyota? Garanto que muita gente acha que é apenas uma marca de carro, tipo Ford ou GMC. Porém, é também o nome de uma das cidades mais importantes de Aichi-ken, exatamente por ser a casa da multinacional automobilística. Nessa região do Japão é onde está concentrada a maioria da comunidade brasileira, uma vez que as montadoras ficam instaladas próximas às matrizes.

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A Toyota, assim como suas empresas-parceiras, são conhecidas pelos altos salários que pagam aos seus empregados. Acredito que o mesmo valha para os dekasseguis brasileiros que trabalham em suas linhas de montagem. Já a cidade de Toyota é uma das mais ricas e prósperas da província.

Agora a prefeitura de Toyota, juntamente com o Comitê de Organização do Projeto de Comemoração Brasil-Japão e outras entidades, estão organizando o “Viva! Brazil day!“, que será um evento com o propósito de promover a cultura brasileira no Japão.

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Os interessados poderão participar GRATUITAMENTE do evento, equipados com estande, painel, mesa e até mesmo vaga no estacionamento. Porém corram! As inscrições vão somente até dia 20 de março, semana que vem. Eu acabei esquecendo o panfleto no meio do calhamaço de impressões da escola, por isso o post atrasou. Abaixo todos os detalhes necessários.

Os scans estão com qualidade suficiente para impressão. Aproveite!

Ralando no Japão

3 fev

 

Vira e mexe sai uma reportagem interessante falando de como é realmente viver e trabalhar no Japão. Algumas vezes o texto deixa em aberto se a experiência é válida ou não. Na internet é possível encontrar muitos blogs de dekasseguis que relatam seu dia-a-dia, descrevem sua rotina e expõem seus pensamentos e conclusões sobre esse tema com sinceridade e precisão. Contudo, é difícil encontrar textos endosados pela impressa brasileira e publicados em larga escala para o público leigo.

A dica de leitura vai para Ralando no Japão, um diário escrito pelo repórter Maurício Horta narrando sua experiência no arubaito japonês. Se você está pensando em vir ao Japão trabalhar temporariamente, geralmente no período de férias, é bom dar uma lida em textos como esse para não levar muitos sustos. Não estou falando do Japão ou até mesmo do serviço em fábrica, mas sim da realidade das pessoas por aqui.

A Angústia

O dia na fábrica é eterno. A hora e meia do primeiro turno matutino flui como um aquecimento. Passa o primeiro intervalo e, diante da oferta do almoço, o trabalho não parece tão difícil. Mas nada nos espera senão as frituras do bandejão – aqui não tem sushi nem sashimi. Prato A, prato B, curry ou udon. No turno da tarde, o tédio torna-se implacável. Nessas horas, Iraci canta para si mesma músicas do padre Marcelo Rossi enquanto aperta parafusos de contadores de moedas; Danila, que está na linha há 6 anos, atrai os meninos com gracinhas, enquanto parafusa tocadores de dvd; Robô provoca os camaradas do depósito e Arnaldo põe-se a falar sem parar. Na linha de montagem, Henry Ford divorciou a atividade manual da intelectual. O operário não precisa pensar, só repetir operações predeterminadas. Para o arubaito, passar 6 dias por semana sem usar a cabeça é uma angústia insustentável. Repete-se a palavra motainai – “desperdício”. Que livro poderia ler enquanto encaixo o 1 800º processador? Sobre o quê poderia conversar enquanto sou obrigado a ouvir mais um causo de Votuporanga?

Buscando Empregos no Japão (em inglês)

1 fev

Devido à minha enorme empatia pelos desgostosos com o atual emprego, e também por aquelas almas desesperadas em conseguir uma colocação no mercado, estou postando algumas dicas úteis.

Uma coisa que ninguém pode reclamar é que não tem trabalho no Japão. O país é a capital do trabalho, todo mundo come, respira, veste e dorme trabalho 7 dias por semana. A questão : o que é preciso para se conseguir um bom trabalho no Japão? Continue lendo

Cartilha Consular e Guia para Trabalhadores Nikkeys

19 jan

 

Nunca é demais ter livros, guias ou cartilhas que contém informações a respeito dos seus direitos, deveres e benefícios. Muitos brasileiros se envolvem em problemas legais simplesmente por desconhecimento das regras. Geralmente os japoneses fazem questão de explicar tudo nos mínimos detalhes para que não haja confusão, porém essas explanações são dadas em japonês (obviamente).

Seja na hora de reaver seus direitos em uma demissão, pagar o médico, sofrer um acidente e até mesmo ter dúvidas quanto a impostos e afins a maneira de proceder está descrito em português nesses dois livretos que estão na imagem acima e que são gratuitamente distribuídos a trabalhadores brasileiros pelo Consulado-Geral do Brasil em Tóquio.

Não se deixe levar por comentários e falâncias de pessoas desinformadas ou mal-intencionadas. Informe-se sobre seus direitos e obrigações e contribua para melhorar nossa imagem na terra do sol nascente.