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5 anos no Japão

7 jan

Há exatamente 5 anos atrás desembarcava no aeroporto internacional de Narita, à 60 km de Tóquio, um rapaz de 26 anos meio desorientado, mas excitado por estar pela primeira vez no estrangeiro. Assim como seus compatriotas não fizera planos, não tinha amigos e nem muito dinheiro. Na bagagem havia apenas sonho. Não sabia o que esperar, muito menos como seria viver nesse país que era tão diferente da sua terra natal, mas a vontade de explorar o mundo lhe dava forças. O rapaz era eu.

Monte Fuji

Em retrospecto, posso dizer que foram os cinco anos mais intensos e ao mesmo tempo mais monótonos da minha vida. Extremamente importantes para meu amadurecimento, sem sombra de dúvidas, mas anos sofridos. Perdi a conta de quantas vezes fiquei deprimido por não ver mais meus amigos e minha família. Porém, crescemos e melhoramos ante as adversidades. E foram muitas delas, especialmente nos últimos tempos. O terremoto de março do ano passado me fez abrir os olhos e descobrir o que realmente é importante na minha vida. Um evento dessa proporção pontua uma fase de transformações internas e de revisão de valores na vida de qualquer pessoa. Dei-me conta de como sou insignificante e impotente ante as dores do mundo. Isso mexeu em algo profundo em meu íntimo e iniciou uma série de pequenas revoluções no meu carácter.

No trabalho, as coisas também estão complicadas. A crise mundial já se arrasta por anos e suas consequências estão se agravando. O mundo mudou e ninguém sabe ao certo como reagir. Em meio a tantos questionamentos, acabei perdendo a inspiração para escrever no blog. Colocar ideias conflitantes em ordem leva tempo. E meu coração é só vertigem. Mesmo com um intervalo de quase um ano desde a última atualização, as palavras ainda me vêm com dificuldade. Como dizia o poeta: “não sei o que dizer e nem o que sentir”. Mas sei que é a hora de voltar a registrar minhas aventuras no diário de viagens.

Meu grupo teve a sorte de ser fotografado pelo site 37 frames. Na imagem, o momento em que me despeço de uma das vítimas do maremoto, após dois dias removendo entulho de sua loja.

A coisa mais importante que me aconteceu no ano de 2011 foi o voluntariado. Para mim um assunto extremamente delicado e de difícil explanação. Estive um par de vezes em Tohoku, na região devastada pelo maremoto e desde então tenho me envolvido com pequenas ações solidárias. Ser voluntário foi uma das experiências mais marcantes que tive. Pretendo descreve-la melhor em textos futuros. Poucas coisas são mais nobres do que se ajudar um desconhecido apenas por compaixão. Conheci pessoas incríveis durante o ano passado e decidi investir parte do meu tempo sendo voluntário.

Nunca imaginei que ficaria 5 anos vivendo longe de casa. Para mim é um ciclo que se encerra e o início de uma nova fase na minha vida. Creio que 2012 me trará grandes mudanças.

O rapaz cresceu. Agora tem 31 anos. Em sua bagagem já não há muitos sonhos, mas experiências.

Obrigado a todos os leitores e meus sinceros votos (atrasados) de ano novo. Que possamos todos aproveitar ao máximo as oportunidades que certamente virão em 2012.

Força sempre!

Estrangeiro em terra estrangeira

19 maio

Na mesa, fartura de comida brasileira: arroz, feijão carioca, farofa, mandioca, salgadinhos, salada e muitos outros detalhes que passam despercebidos quando estão servidos. Espetos de churrasco dançam entre as mesas lotadas lançando seu perfume tentador por onde passam. Animadas, garotas sorridentes requebram harmoniosamente ao som de pagode. Gols espetaculares de Ronaldo iluminam o telão. É possível relembrar a copa do Penta de 2002. A caipirinha, suando, espera para ser engolida junto com as mágoas do dia.

Quantos de nós, brasileiros, já vivemos essa experiência?

De tantas vezes que participei de churrascos, festas e mesmo almoços em churrascarias, todo o ritual acabou-se tornando tão natural quanto misturar o arroz com feijão. Porém, dessa vez havia algo diferente: de brasileiro havia apenas eu e mais duas ou três pessoas no restaurante inteiro, o restante todos japoneses. Apesar dos esforços para se recriar um ambiente típico brasileiro (insira “carioca” aqui), senti-me imensamente deslocado. Embora a comida estivesse maravilhosa, as pessoas ao meu redor conversavam em japonês, riam e se comunicavam com gestos típicos e a aparência delas não enganava sua nacionalidade. A rodela de limão na capirinha estava intacta, sem ter sido socada, e a bebida era “light”, sem um pingo de açúcar. A música, entoada quase que sem sotaque por um pagodeiro japonês, soava autêntica, mas que eu nunca ouvira antes no Brasil.

“É Zeca Pagodinho” respondeu minha colega japonesa. Ela e a amiga são apaixonadas por música brasileira (leia-se “samba”), e riram muito quando tentei explicar em japonês que do lugar de onde vim esse tipo de música é discriminada e até mesmo considerada brega. Foi uma sensação muito estranha ver todos aqueles estrangeiros cantando juntos frases como “na favela a gente aprende a ser feliz” e “viva o Salgueiro, não deixe o samba morrer”. Imagino como eles vêem a favela e que tipo de vida se leva lá. Eu nem sequer consegui acompanhar as batidas de palma junto com a melodia, mas as meninas, japonesas claro, rebolavam e giravam alegremente pelo salão. Numa tentativa de comprovar minha legítima cidadania brasileira, coloquei-me em vão a tentar descobrir o ano das copas que apareciam no telão. Todos jogos da seleção brasileira que assisti com amigos num ambiente muito parecido com o que estava naquele momento. Não lembrei dos anos, mas dos rostos alegres e familiares que riam e choravam em meio às reviravoltas do futebol. “Joga bola?” perguntaram animadas – “Só no video-game” respondi me afundando na bebida.

Um ambiente que deveria me proporcionar familiaridade, mas tudo que senti foi solidão. Para responder o porquê disso eu precisaria definir o que é ser brasileiro, um grande enigma praticamente insolucionável. Agora, encarando a tela do computador me pergunto se ser brasilerio é jogar futebol, sambar, morar no Rio, ouvir pagodão e fazer batuque até com cinzeiros. Se for, então eu não sei o que sou. Nasci em São Paulo e posso dizer que vivi uma rotina bem agitada, cheia de festas, reunião de amigos e encontro de pessoas, mas nunca esses elementos fizeram parte do meu dia-a-dia. Também falo por muitos amigos e colegas que tenho no Brasil, mesmo no Rio. Gostaria de encontrar o responsável por pintar o Brasil com essas cores. Tachar um país com tanta variedade com os clichês mais óbvios do mundo. É como dizer que no Japão só exista o Monte Fuji e as lutas de sumô ou que a África se resuma à safaris e vida selvagem. É reduzir toda uma vasta gama de lindas cores a apenas verde e amarelo. E eu que pensei que a beleza do Brasil era a diversidade.

Como preparar as crianças contra ataque de Zumbis

5 maio

vi no taulukko

Comentário rápido: Não é por nada não, mas esse molequinho tem espírito samurai! Eu acho que boa parte da molecada ia se borrar de medo e tentar se esconder ou embaixo da cama ou dentro do armário. Quando eu era piralho tinha PAVOR de zumbi (que eu chamava de morto-vivo). Só de pensar nesses cadáveres ambulantes eu suava frio, lutar assim face a face contra um NUNCA! Interessante notar aí os aspectos da cultura japonesa. O irmão mais velho defendendo os mais novos, a irmã dando suporte e, o mais incrível na minha opinião, no final quando o pai pergunta quem lutou mais o garoto responde sem hesitar, “todo mundo”. Conheço muitos adultos que se vanglorizam de um trabalho do qual mal tomaram parte. O bonito na sociedade japonesa é esse espírito de união, de comunidade, que eu acho que pode ser visto na sua forma mais pura nesse vídeo, apesar de ser uma pegadinha super hilária. Viajei?

Ainda presente…

5 abr

Dez horas da noite de um domingo não é lá um horário muito adequado para se acordar, eu concordo, mas de vez em quando é bom dormir fora de hora, esquecer dos compromissos e ceder à tentação de cochilar quando o corpo pede.

Faz um bom tempo que não posto as novidades por aqui, mas não é por falta delas e sim por excesso! Mais uma vez a vida deu aquela reviravolta e mudou tudo. Até um mês atrás eu estava tranquilo, trabalhando, estudando japonês de levinho, sem estresse algum. Aí pintou a crise: o nervosismo de não saber se amanhã ia ter emprego e então, de repente, precisei mudar do alojamento onde estava morando, fechado por falta de pessoas. Graças a Deus o tempo foi ideal para achar um novo lugar, dessa vez definitivo, que atendesse todas minhas expectativas, que não eram poucas. Consegui, por pura sorte, o lugar ideal. E ainda mantive meu sagrado emprego.

Agora, brincar de casinha não é tarefa fácil, como bem faz nos lembrar as infinitas queixas de nossas mães. “O dia que você morar sozinho vai saber”, realmente.

Estou muito feliz com tudo que está acontecendo. Parece que por mais que eu queira sossegar e me acomodar por enquanto, a vida no Japão não permite. Não há espaço para gente lenta, para pessoas que não querem lutar. Em Tóquio é crescer para não morrer, o que me faz estar sempre correndo, mas feliz.

Mesmo assim ainda consigo tempo para ir curtir um cinema, ver o badalado Watchmen e entrar em parafuso. Tema para um post dedicado. Afinal, nerd que sou, tenho que dar algum comentário sobre essa obra-prima dos quadrinhos.

Enquanto isso a Coréia no Norte manda um mega-torpedo por cima nas nossas cabeças e tudo indica que uma guerra na Ásia pode estourar a qualquer momento. Na televisão o jornal nos diz para não se preocupar com o projétil transatlântico e levar a vida normalmente. Eu diria “viver como se não houvesse amanhã” ou “como se amanhã fosse o último”, já que Tóquio seria um alvo mais que provável numa guerra e, dada as dimensões da cidade, qualquer coisa lançada de lá para cá tem a enorme probabilidade de cair no meu telhado. Tudo bem, já recolhi a roupa do varal.

Por tudo isso, mais uma vez peço perdão a todos meus fiéis leitores. Juro que gostaria de estar mais disposto a compartilhar minha experiência por aqui, mas a energia é limitada nesse ser cada dia mais velho. Muitas novidades, boas e ruins, ainda estão aguardando para serem escritas no meu arquivo (sim, ele existe).

Um abraço a todos!

2 anos de Japão!

6 jan

2 anos

Hoje faz exatamente 2 anos que cheguei aqui, no Japão. 2 anos, quanto tempo é isso? Muito ou pouco? Não sei dizer…

Olhando para outros brasileiros que encontrei durante minha estadia, isso não parece muito. Alguns vivem há mais de 17 anos fora do Brasil e nem pensam mais em voltar, a não ser para visitar os parentes e passear. Realmente, não há como negar que o Japão, apesar do ritmo frenético de trabalho, é um país muito confortável de se morar. Independente de dinheiro, as coisas funcionam, é seguro e existem um senso de comunidade que é respeitado. Dizem os experientes que quanto mais tempo se fica num lugar, mais difícil fica de sair dele. Eu sei, pois para mim foi muito difícil deixar minha terra e vir explorar o mundo.

Porém, fazendo um apanhado de tudo que aconteceu nesses 2 anos fora de casa, percebo que muita coisa aconteceu comigo. Tive que amadurecer às pressas pois fui obrigado a enfrentar desafios que no Brasil nem sabia que existiam ou então não tinha idéia de como eles realmente eram. De certa forma, acho que os contrastes entre o brilho e a escuridão da vida se acentuaram e aquela grande faixa cinza entre os extremos se afunilou. Descobrir a verdadeira natureza das pessoas é assustador, mas não se equipara a sentir na pele suas fraquezas e fragilidades. Envelheci.

Os melhores remédios são amargos, dizem, mas há também outras coisas que são doces. Poder conhecer pessoas do mundo todo e dividir experiências é uma delas. Viver fora obriga você a se relacionar com estranhos, para o bem ou para o mal. Outra coisa é ver o mundo por outro ponto de vista e com isso enxergar novos horizontes. Conhecer outras culturas, outras linhas de raciocínio, outros métodos de trabalho.

Trabalho aliás, é outra coisa importante. Agora, mais do que nunca, minha vida depende inteiramente do fruto de meu esforço. Acredito que tive grande sorte em conseguir me firmar na minha área de formação e com isso colocar minha experiência em uso. Não posso reclamar, principalmente vendo tantas pessoas que não conseguem se encaixar no mercado mesmo tendo formação e experiência. E acima de tudo, estar empregado em um momento de crise financeira com o que atravessamos agora no início de 2009. Infelizmente muitos não tiveram essa sorte.

2 anos. Olhando para trás e vendo tudo isso, não me arrependo de nada do que fiz. Agora, no começo do meu terceiro ano, é hora de pesar tudo e repensar o que fazer daqui para frente. Esse será um ano de decisões importantes, de direcionamento e de mudança. Será que fico, será que volto, será que mudo? Ser um expatriado é conviver com “serás”, acostumar-se com incertezas.

Apesar da incapacidade de prever o futuro e tomar a melhor decisão, minha certeza é  somente uma: irei sempre em frente!

Que venha 2009!

Sayonara 2008

3 jan

Ainda me é estranho falar “ano passado” quando me refiro a 2008. Sinceramente, mal vi esse ano passar. Por coincidência o animal que representou esse ano foi o rato, e ele passou tão rápido que deixou a impressão de que as coisas estão andando cada vez mais rápido nesse mundo.

Centenário da Imigração, Eleições nos EUA, Crise econômica, tantas mudanças marcantes no (meu) mundo, isso sem contar as coisas da minha vida: mudança para Tóquio, trabalho novo, escola de japonês, novo círculo de amizades, exame de proficiência em língua japonesa e outras fortes emoções. Não foi a toa que o kanji escolhido para representar 2008 tenha sido o de mudança.

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Foto: TokyoTimes

Depois do rato vem a vez da vaca, ou boi. No Japão e em grande parte da Ásia segue-se o calendário chinês, no qual cada ano representa um animal e cada animal possui uma característica que prediz o que virá no ano vigente. No caso da vaca, paciência, perseverância, trabalho duro e força. Pelo que tudo indica vamos precisar ainda mais que isso para enfrentar 2009.

Muitas coisas aconteceram nesse final de ano. Algumas não foram nada boas para os brasileiros que vivem no Japão. Em decorrência da queda na produção, muitos perderam seus empregos e junto com isso a pouca segurança financeira que possuíam. Sem emprego, os trabalhadores que viviam em alojamentos tiveram que sair às pressas e procurar outro lugar para morar. Não são poucos os que tiveram que dormir em seus carros e até mesmo ao relento, em pleno inverno rigoroso japonês. Todos os dias ouço notícias de cortes e demissões em massa. Nem mesmo os japoneses estão a salvo e os que ainda mantém sua colocação estão apreensivos e com receio de perder seu sustento. O ano que marcou 100 anos de relações entre Brasil e Japão encerrou-se também marcando o começo do fim do movimento dekassegui, com grande parte dos brasileiros voltando a sua terra natal sem previsão de retorno. Há previsões de que a comunidade deva diminuir um terço em 2009.

Porém, ano novo, vida nova. É o que diz a crença popular brasileira e dou fé. Gosto de pensar que foi bom que essa maré de reviravoltas tenha sido no final de um ano moribundo que logo se acabou. Parte desse gosto amargo morreu junto com ele e o amanhã é cheio de esperanças e luz. Vá em paz, ano de 2008, e leve para seu túmulo todo esse medo e toda a frustração. Há males que vêm para o bem. Talvez tudo o que aconteceu sirva de incentivo para darmos um salto ainda maior em 2009. Desejo que todos tenhamos fé que dias melhores virão. Depois da tempestade, a bonança. Não é assim que se fala no Brasil?

Para meus leitores um forte abraço! Um 2009 cheio de alegrias e muito sucesso. Pensemos positivo! Sempre em frente! BANZAI!

Natal anormal e boçal

24 dez

Já vai dar meia noite, véspera de Natal. Eu sei que boa parte dos meus leitores devem estar acordando agora, já que no Brasil é quase meio-dia. Porém, aqui do outro lado do mundo, onde é inverno, as badaladas devem tocar a qualquer momento.

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Imensa árvore de Natal em Omotesando

Para mim esse já é o segundo Natal que passo aqui e posso dizer: Natal no Japão é uma porcaria! Não tenho parentes num raio de centenas de quilômetros, meus amigos moram longe e os que moram relativamente perto estão ocupados. Isso por que, além de tudo, dia 25 não é feriado e todos têm que trabalhar. Até esse que vos escreve!

Os japoneses mal sabem o que significa o Natal. Acabou se tornando mais uma data festiva para incentivar o consumo e impulsionar a economia. Está certo que no resto do mundo isso não é muito diferente, mas pelo menos no Brasil o Natal serve de desculpa para rever os parentes e encher a pança com comida de primeira. Como a religião aqui é o Xintoísmo-budismo, a data não tem grande impacto na sociedade japonesa. Para se ter idéia, dia 23 foi aniversário do Imperador e esse dia foi feriado, mas o nascimento do menino Jesus têm mais ou menos o mesmo impacto do Haloween. Aliás, o Natal japonês é considerado o segundo “dia dos namorados” do ano e muitos jovens casais vão “comemorar” passando a noite em motéis decorados com o tema (ugh!).

E adivinha o que eu fiquei fazendo? Postando, claro! Afinal o que mais eu poderia fazer? Pelo menos arranjei algo para me distrair dessa data deprê. De quebra ainda respondi algumas dezenas de e-mails que estava devendo resposta há semanas.

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Decoração natalina em Shinjuku

Não sou religioso, mas respeito quem é. Afinal Natal não é apenas fé religiosa. É também fé nas pessoas, é acreditar em si mesmo e crer que amanhã será um dia melhor. Mesmo tendo que trabalhar normalmente…

Um FELIZ NATAL para todos!

Cadê o ShigueS?

26 out

Alguns leitores devem estar se perguntando onde diabos está o autor desse blog e como ficam as atualizações. O que aconteceu? Parou, acabou o gás? MORREU?

Não, eu não estou morto. Muito pelo contrário, estou vivíssimo e aproveitando ao máximo minhas parcas horas de prazer. Chutei o balde mesmo e tudo o que eu menos quero fazer é ficar na frente de um computador. Já me bastam as horas de labuta que fico redundante entre um clique e outro. Quando tenho tempo para passear, sair, ver os amigos e me divertir EU VOU! Ah, cansei dessa vida de gente grande…

Portanto, caros leitores, peço paciência. Não vou parar de escrever aqui pois é um grande prazer poder dividir minhas experiências com vocês (as vezes até ajudo alguém a não cometer minhas burradas). Portanto, quando não tiver muitas atualizações por aqui é sinal de que o velho ShigueS está curtindo um pouco a vida. Fiquem felizes e torçam por mim!

Um abraço!!!!

Final das Férias…

24 ago

Pois é, domingão nublado, dia arrastado que marca o final do sossego do 夏休み (natsu yasumi), o segundo amado-por-todos grande feriado japonês. Depois de 5 dias inteiros fazendo tudo o que eu queria, ou seja, NADA, não tenho muita certeza se estou feliz em voltar à rotina massacrante de trabalhar e estudar a bendita língua japonesa numa carga diária de 13 longas horas. Foram 3 lindas semanas sem aula na escola!

Acabou a moleza das férias de Verão, agora é voltar ao batente e rezar para chegar logo o final do ano! (Na foto, eu curtindo um sol no parque de Yoyogi)

Ouvi uma história chocante durante esses dias de repouso, veja só: parece que no Japão, somando-se todos os feriados que se tem durante o ano temos mais dias livres que no Brasil! Não é algo a se pensar? Caçilda, eu preciso confirmar isso, mas faz muito sentido já que existem dois feriados nacionais de 1 semana por ano, fora os dias marcados no calendário.

Aproveitei para relaxar um pouco nessa folga, foi muito bom. Nem no blog eu mexi muito por que eu queria fazer só o que me desse na telha. Fui à exposições, vi vários filmes, li bastante e saí para a balada (hoje acordei às 19h). Duro é a grana que vai embora, mas, diabos, só se vive uma vez!

Desejem-me sorte para a dolorida readaptação à velha rotina. Estou colocando o material da escola de volta na mala, nessa hora que vem aquele sentimento de culpa de quem nem tocou nos livros que deveria estudar (eu sei, deveria mas não consegui, sou humano afinal de contas). Poderia ser pior: ouvir a voz do Faustão e depois aquela musiquinha do “Fantástico” e saber que já é hora de dormir por que amanhã é dia de branco.

Choque Cultural!

12 mar

Muita gente que vem pro Japão fica chocada com a maneira como os japoneses interagem entre si. Gestos estranhos, maneiras sem lógica e uma certa distância no tratar. Cada povo reage de uma maneira singular ao peculiar modo japonês de fazer as coisas. Na escola onde estudo tem muitos estrangeiros, claro é uma escola de língua japonesa, por isso é um ótimo lugar para observar o choque cultural entre os povos.  Não digo pelos orientais, que tem costumes mais familiares aos dos japoneses, mas sim aos gaijins ocidentais.

Por exemplo, eu sou brasileiro, me dou bem com a maioria do pessoal lá. Porém me espantei em ver como minha cultura é americanizada, isso depois de conversar com diversos americanos. Os assuntos são muito próximos: cinema, música, diversão. Para o bem ou para o mal nós, brazucas, estamos constantemente sendo bombardeados pelo fast-food cultural americano. Hollywood, pop-rock, cervejadas e afins tem tudo a ver com o Tio Sam.

Esse vai ser um post dos grandes, se quiser continuar lendo clique no link. Continue lendo