Quem é Jordan Peterson?


Desde tempos imemoriais as pessoas têm buscado sabedoria e conhecimento através de grandes mentes como as de Platão e Aristóteles para ajudar a entender a raiz dos problemas e resolvê-los usando o intelecto humano. Constatações filosóficas tão profundas e fundamentais a ponto de mudar a constituição da sociedade ocidental e moldar nações por milênios. A sede pelo conhecimento, necessário para nos guiar pelo vasto desconhecido, sempre esteve presente em todos os indivíduos interessados em melhorar a sociedade e a si mesmos.

Se a filosofia foi a primeira tentativa da humanidade em entender as leis do universo, hoje temos a ciência com suas leis e fatos empíricos. É difícil de se imaginar como os gênios do passado interpretariam suas teorias filosóficas armados com o conhecimento científico moderno. Em minha opinião eles soariam muito parecidos com uma certa celebridade do YouTube que vêm tomando o mundo de assalto.

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Considerado o intelectual mais influente do século XXI, Jordan B. Peterson é psicólogo clínico e professor de psicologia da Universidade de Toronto, Canadá. Seu livro, “12 Regras para a Vida — Um antídoto para o caos” está da lista dos mais vendidos em dezenas de países desde seu lançamento no começo do ano. Apesar de suas aulas públicas no youtube lidarem com assuntos complexos da psicologia seus vídeos têm dezenas de milhares de visualizações. Tamanho sucesso tem rendido o professor diversas aparições em talkshows e debates televisionados em países de língua inglesa. Suas palestras públicas com outras celebridades intelectuais estão sempre lotadas, não importando o tamanho do local e sua capacidade.

Mesmo com essa enorme audiência Jordan Peterson é considerado uma figura controversa no cenário político e social em praticamente todos países onde é conhecido. Muitos jornalistas tentam retratá-lo como racista, sexista e antigay pelas coisas que diz e defende. Grande inimigo da política de gênero e defensor dos valores conservadores, Peterson não se considera de Direita, apesar de muitos o acusarem de se alinhar com a “alt-Right” (grupo de extrema direita que prega a supremacia branca). Peterson critica abertamente ideais que considera de “extrema esquerda” e muitas de suas críticas vão de encontro à narrativas progressistas e feministas.

Desde 2016 Peterson vem se metendo em um escândalo após outro. Cada tópico mais polêmico que o outro mas todos fascinantes. E a cada confronto sua audiência multiplica. Nesse pequeno ensaio tentarei introduzi-lo a novos leitores. Explicar sua trajetória e como suas observações, por mais polarizantes que sejam, me tornaram uma pessoa mais compreensiva e espiritual.

Dica: Os vídeos abaixo estão todos em inglês. O youtube fornece legendas em português autogeradas pelo seu algoritmo de tradução. Você pode ativar essa opção no próprio player.

Discurso mandatório

Em 2016 o governo canadense apresentou um projeto de lei que tinha como intuito proteger os direitos de transsexuais e homossexuais através do uso obrigatório de pronomes. A emenda C16 incluía direitos de expressão sexual e de gênero à lei de direitos humanos daquele país.

De alguns anos para cá ativistas LGBTQ têm advocado que gênero e sexo não apenas se distinguem mas que existem inúmeras formas de orientação sexual além da binária tradicional (macho, fêmea. Homem, mulher). Transsexual, pansexual, homossexual, gênero flexível (gender fluid) entre outras dezenas de denomições que requerem um uso específico de pronomes para cada caso. Alguns membros preferem ser chamados por pronomes de gênero neutro, como zer ou zir, ou até mesmo no plural they, them. Também é considerado de mau gosto assumir o gênero de alguém julgando-se apenas pela aparência física. O correto é perguntar com que gênero a pessoa se identifica antes de começar a usar pronomes. Ativistas geralmente associam o uso errôneo de pronomes como falta de respeito e violência verbal aos não-binários. Devido ao alto número de mortes entre o grupo, muitas suicídios, acredita-se que adereçar à pessoa como ela gostaria de ser vista representaria aceitação e respeito, diminuindo assim a pressão e o estresse de ser diferente dentro da sociedade.

Esse tipo de discurso é comum nos campus de universidades norte-americanas. O politicamente correto tornou se norma principalmente nos campos relacionados à humanas, com cursos criados especificamente para lidar com esses assuntos, como Estudo de Gêneros e Estudo da Mulher (Women Studies). Tantas pessoas aderiram à essa narrativa que o discurso se apresenta também na sociedade aberta e faz parte da agenda política de esquerda (liberdade sexual e proteção à minorias).

Eis que então é criado o projeto de lei C-16. Originalmente concebido para amparar os não-binários, na prática obriga as pessoas a usarem os inúmeros pronomes de gênero neutro os quais variam de pessoa a pessoa sob penalidade de multa e até mesmo prisão. Muitas pessoas consideraram a lei restritiva quanto ao uso do discurso livre mas a voz mais eloquente foi a do professor de psicologia da universidade de Toronto.

“O discurso livre é o mecanismo pelo qual mantemos nossa sociedade funcional. É em consequência do discurso livre e a habilidade de falar (livremente) que o povo consegue apontar problemas, articular quais são esses problemas, resolvê-los e chegar a um consenso. E nós arriscamos a perdê-lo”

– grita o professor no pátio da universidade, cercado por curiosos e manifestantes no vídeo que o fez famoso no YouTube. “O governo não pode colocar restrições e ditar o que dizemos ou deixamos de dizer” racionaliza o intelectual.

Peterson se opôs formalmente ao projeto de lei, participando até mesmo em audiências com políticos locais. Debateu com estudantes, repórteres e em rede nacional. Apesar de todo seu esforço o projeto foi aprovado e tornou-se lei. Porém o episódio seria apenas o começo da ascensão de Peterson ao estrelato da Intellectual Dark Web (mais detalhes em outro post).

Politicamente (in)correto

Toda a atenção gerada pela polêmica dos pronomes obrigatórios multiplicou o número de seguidores em seu canal no YouTube. Desde 2013 Peterson vinha gravando suas aulas públicas e as publicando abertamente no portal de vídeos. Usuários que haviam sido atraídos pela briga com os SJWs (Social Justice Warriors) acabaram descobrindo outros assuntos pertinentes abordados pelo professor. “As pessoas vieram pelo escândalo e ficaram pelo conteúdo” diz Peterson.

Um dos temas centrais de suas aulas trata da diferença entre homens e mulheres, tanto em seus respectivos papéis na sociedade quanto em sua fisiologia e psicologia. Parafraseando o professor: “Homens e mulheres diferem. São sou eu quem diz nem é minha opinião pessoal. A literatura científica é clara”. Uma das questões lida com a famigerada diferença entre os ganhos de homens e mulheres. “É uma questão de análises múltiplas” diz o professor. “Mulheres escolhem linhas de trabalho que notoriamente pagam menos. Homens tendem a trabalhar expostos ao ambiente, a se mudar de casa. Mulheres geralmente escolhem família sobre carreira. Homens fazem todos os trabalhos perigosos” pontua Peterson.

Apontar que homens e mulheres são de fato diferentes vêm causando atritos com feministas e progressistas em várias frentes pelo mundo todo. Inclusive em entrevistas televisionadas ao vivo. A mais famosa sendo com a repórter australiana Cathy Newman, onde a evidente tentativa da entrevistadora em empurrar sua agenda feminista sobre Peterson falha de maneira espetacular. A ponto de fazer a celebridade perder a linha de raciocínio por vários segundos no ar.

Conclusão

Claramente eu sou um grande fã de Jordan Peterson. Porém o que me motivou a escrever esse longo post foi o sentimento de que esse discurso também deva estar presente no meio acadêmico e social brasileiros. Sabendo como tendemos a herdar os valores de países mais desenvolvidos, especialmente dos Estados Unidos, concluí que seria útil se armar de contraargumentos antes mesmo da discussão extrapolar. Claro que há problemas a ser mediados, mas usemos de cautela e razão. Há muito o que aprender no debate que está acontecendo agora mesmo nos países de língua inglesa.

Poderia escrever páginas e páginas sobre o que aprendi com Jordan Peterson, mas acredito que o que escrevi seja o suficiente. Espero que essa singela introdução sirva para despertar curiosidade e desejo de se aprofundar nas questões que assombram todos nós, seres humanos.

 

fotos: das interwebs

Rota de fuga


Com tremores acontecendo com cada vez mais frequência, e a televisão repetindo que o grande terremoto de Kanto está chegando, não há quem não se desespere. Somos obrigados a adquirir um kit para emergências e deixá-lo sempre ao alcance. Existe uma infinidade desses kits à venda na internet. A faixa de preço varia de ¥500 (em torno de R$10, o que eu comprei) até ¥50.000 (R$1,095!). Dentro deles há coisas que você nem imaginava que existiam, como manta térmica de alumínio, rádio-lanterna-alarme recarregável a manivela, biscoitos nutritivos longa-vida e mais. Muito mais!

Essa semana no escritório fizemos uma simulação preventiva em caso de desastres. O exercício consistia no seguinte: ao primeiro sinal de terremoto forte, deveríamos entrar debaixo da mesa e nos proteger. Assim que o tremor perde a força, tínhamos que colocar o capacete, deitar a torre do computador para que ela não tombasse e destruísse os dados, e pegar a bolsa e casaco para depois aguardar instruções do responsável pelo grupo. Aconselha-se sempre a se permanecer dentro dos prédios, mas como na empresa há muitos estrangeiros, praticamos também a rota de fuga do prédio até a área de evacuação do nosso bairro.

Como todos aqui sabemos, o maior problema vem depois do terremoto. Ruas intransitáveis, sistema de transporte parado e celulares mudos só ajudam a aumentar o pânico. Fomos orientados a voltar para a empresa e permanecer lá até a situação normalizar. Há estoque de água e comida por 3 dias, além de equipamentos especiais para situações de emergência. E eu tenho meu estoque particular de arroz e água (os biscoitos eu sempre como).

Lembro-me de que quando nos abrigamos naquele parque, no ano passado, haviam poucas pessoas. Talvez mais um ou dois grupos vindos de empresas vizinhas. Acredito que a maioria dos japoneses esteja acostumada a ficar dentro de algum lugar. Mas não um estrangeiro. Na hora a vontade que se tem é de sair correndo, não importa para onde. Mas numa dessas você pode ser atingindo por estilhaços de janela, placas, fios de alta tensão e pode até mesmo dar de frente com o tsunami.

E você? O que faria?

UPDATE: A pedido da empresa fiz algumas alterações no texto e retirei uma foto que continha colegas de trabalho.

Amanhã é dia de Branco (White Day)


E todo o ano a fatídica data se repete. O infame howaito dei é o dia em que os homens retribuem às mulheres o chocolate ganhado no dia dos namorados, um mês antes. Diz a lenda que se deve presentear à pessoa o triplo do valor do presente que se ganhou. Aposto que tem muita menina interesseira por aí que deu chocolate já pensando no howaito.

Geralmente eu nunca me lembro da data, mas esse ano eu anotei no calendário. Voltando para casa resolvi passar no supermercado para comprar alguns agrados paras minhas queridíssimas colegas de trabalho. Chegando na porta me deparei com dezenas de homens engravatados enfileirados na frente das docerias. Todo mundo com cara de interrogação. Eu mesmo nem sabia o que comprar. Havia para todos os gostos e bolsos.

Acho que nunca comprei tanto chocolate na vida. Digo, na Páscoa do Brasil havia MUITO chocolate em casa. Mas era tudo presente dos meus pais, amigos e parentes. Eu mesmo nunca tive o costume de dar chocolate de presente. Ainda mais pra mulheres que não são nem namorada, nem mãe. Dessa vez a onda consumista conseguiu vencer minha indiferença.

Coincidentemente, o parceiro de blog Edu comentou no BZ as diferenças no consumismo europeu. Mas vamos ser francos, consumismo é igual em todo lugar, só muda a desculpa para gastar dinheiro.

Acabei não comprando o triplo de chocolate que ganhei, mas espero que seja o suficiente para adocicar o dia delas.

Voluntariado – parte 1


Estive recentemente em Tohoku, a região que em março de 2011 fora devastada pelo duplo desastre terremoto-maremoto. Foi minha terceira vez. A experiência foi excelente e aprendi muito com que vi, fiz e ouvi das pessoas que trabalham todos os dias para ajudar os sobreviventes. Os voluntários formam uma incrível irmandade que traz auxílio e dá esperanças às pessoas. Nas noites frias de janeiro, enquanto nevava do lado de fora do acampamento, todos se reuniam em torno de um aquecedor a óleo e conversavam animadamente sobre como poderíamos continuar contribuindo com a causa depois que voltássemos às nossas rotinas. Fiz a promessa de contar minha experiência no meu blog.

Faz tempo que eu quero falar sobre isso. O assunto é de difícil digestão e há muito o que falar, por isso irei escrever em partes. Vou tentar não escrever demais (esse é meu terceiro rascunho já). Como gosto de começar pelo começo, contarei o que aconteceu a partir do dia que o mundo tremeu.

Dia 1

Tóquio.
Sexta-feira, dia 11 de março, 2011.

O vento gelado cortava a pele do rosto. Mesmo envolto em roupagem grossa era difícil caminhar na rua sem se incomodar com o frio que parecia subir pelas pernas. Rapidamente, caminhei em direção à empresa, na tentativa de esquentar um pouco o corpo durante a caminhada. Em dias normais sempre encontrava turistas a frente do Kokugikan, tradicional arena de sumô, mas durante o inverno japonês poucos se atreviam parar para tirar fotos. Naquele gélida manhã não havia ninguém. Resolvi apertar o passo.

Ao entrar no escritório, o ar aquecido me fez relaxar os ombros. De camisa leve, dentro do prédio parecíamos viver em outra estação do ano. Despi o casaco, o cachecol e as luvas e fui me sentar. A notícia da semana era o lançamento de um famoso eletrônico que todos cobiçavam. Inclusive eu. Receoso com consumidores fanáticos que esgotam os produtos nas primeiras horas de venda, planejei acampar em frente à loja na noite anterior ao lançamento. Haviam ainda duas semanas, mas queria me preparar com antecedência. Pedi a um colega que me emprestasse uma barraca para que pudesse dormir mais tranquilamente na rua. Um outro amigo, que revesaria na fila comigo, sugeriu antecipar duas noites e juntos preparamos uma lista com itens que precisaríamos na aventura: barraca, coberta, água, biscoitos e lanterna.

Não queria utilizar mais que um dia de férias já que receberia meus pais nas primeiras semanas de abril. Era a primeira vez que eles viriam ao Japão e queria aproveitar ao máximo o tempo que passariam comigo. Mesmo sendo filho de japoneses meu pai nunca teve a oportunidade de viajar para tão longe e minha mãe sempre tivera profundo respeito e admiração pelo povo japonês. Eu estava muito feliz e ansioso para mostrar as peculiaridades do país que escolhi para amadurecer. Já havia entregado o pedido de férias para meu superior e já havia recebido confirmação das datas dos vôos.

Naquela sexta-feira o dia correu normalmente. À tarde, o escritório estava tranquilo e todos trabalhavam silenciosamente. Eu havia retornado no almoço há pouco tempo e estava checando e-mails quando alguém exclamou:  “Jishin!”. Virei a cabeça para olhar o biombo que separa meu setor do vizinho. O biombo começou a balançar levemente. Desde que me começara a trabalhar ali, experienciei apenas dois ou três terremotos em quase 3 anos. Apesar de haver muitos tremores, apenas sentimos os mais fortes. Mesmo assim era raro percebê-los. “Jishin? Tem certeza? Não estou sentindo.” perguntou a gerente. Levantei-me. “É um terremoto sim. Veja, o bimbo está balançando!” disse num tom gozador. Mal terminei a sentença e o tremor veio forte, como se um gigante houvesse chutado o prédio. “Nossa, esse é forte.” comentou um colega. “Rápido! Abram as portas!” gritou o líder do meu setor. Dois colegas, os que sentavam mais próximos às portas, levantaram-se rapidamente e abriram as portas. Terremotos fortes podem entortar paredes e impedir a abertura de portas e janelas. Por isso quando se vive em região que há terremotos, assegurar-se que a porta de saída está aberta é uma das primeiras coisas que aprendemos. Todos estavam petrificados de medo.

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O aniversário do Imperador


Hoje, 23 de dezembro, celebra-se no Japão o Tennō tanjōbi (天皇誕生日), ou “o aniversário do Imperador”. Sua Majestade completou 77 anos! Uma vez que o ano no Japão se conta de acordo com os anos de “reinado” do imperador, avançamos para o 23° ano da era Heisei, mas só a partir de primeiro de janeiro.

O Palácio Imperial, que geralmente é fechado ao público, abre excepcionalmente suas portas para receber milhares de súditos e curiosos (21 mil pessoas, aproximadamente). Voluntários distribuem bandeirinhas do Japão na entrada enquanto dezenas de policiais orientam as multidões. Tudo muito organizado e civilizado.

No horário marcado, a família imperial faz uma rápida aparição na varanda do Palácio e o Imperador, com toda a paciência do mundo, faz seu discurso:

「今年は経済情勢が厳しい中、多くの地域で猛暑が続きました。苦労の多い日々を過ごした人も多いのではないかと案じています」「今年もあとわずかになりました。どうかくれぐれも体に気を付け、元気に新年を迎えられるよう願っています」

“Agradeço profundamente a todos por terem vindo. Esse ano foi de dificuldades financeiras para o país, e de calor persistente em muitos lugares. Temo que muitos passaram dificuldades nesses dias.

Mas ano já chegou ao fim. Desejo a todos saúde para enfrentar o ano vindouro.” (tradução livre)

Pessoalmente, achei uma experiência única e enriquecedora. Sem mencionar que o Imperador Akihito é o único Imperador vivo nos dias atuais. O último de uma era há muito esquecida. Mas os japoneses, que durante toda sua história reverenciaram seus líderes, nunca irão deixar a tradição morrer. O momento que os biombos correm e surge a figura da família imperial é cativante!

10 curiosos postos policiais no Japão


Clique na imagem para ver uma curiosa seleção de Koban!

Koban (交番, lê-se kouban), é o nome dado aos postos policiais no Japão. Numerosos, geralmente são bem pequenos e cada um possui de 2 a 4 policiais em suas dependências. O modelo também existe em diversos países, como EUA, Coréia do Sul, Taiwan e, claro, Brasil.

Como no Japão a criminalidade é baixa se comparada a outros países, os Koban servem mais como estações de apoio e serviços comunitários, como organização de eventos, reunião de moradores e assistência a idodos e crianças. Geralmente as pessoas procuram os policiais para perguntar por direções ou procurar algum item perdido. Os policiais são muito educados e não andam armados.

Cata-lixo Rangers


Vestidos como super-heróis, os membros do "ASU Catadores de lixo Rangers" coletam lixo em frente à loja Big Camera na estação de Nagóia.

Sempre achei curioso o fato das ruas no Japão serem tão limpas. Não há quem não se espante. Tamanho asseio se deve não somente à educação dos pedestres, mas também a ações comunitárias e espontâneas como essa da foto. Nesse caso a ação é particularmente curiosa.

Já vi muitas vezes estudantes, funcionários e até mesmo moradores varrendo calçadas, catando pitucas de cigarro e podando arbustos. Mesmo assim, sempre me espanto. Talvez por que eu nunca tenha presenciado isso por onde morei no Brasil. Faz parte da cultura japonesa cuidar do coletivo. Arrisco dizer que o coletivo é até mais limpo e organizado que o privado: parques e praças são super limpos enquanto apartamentos e casas típicas japonesas tem um monte de coisas amontoadas.

Falando nisso, essa semana mesmo presenciei uma ação dessas perto do meu trabalho. Gostaria de fotografar mais, mas na pressa o que consegui foi isso:

Seria um castigo para os alunos que tiraram notas baixas?

Apesar da foto que inspirou o post ser de 2007, o tema é interessante. Não acham?