Desemprego recorde atinge Japão

30 abr

Acabei de ler essa notícia hoje de manhã na Folha Online:

This file photo dated 31 January, 2006 shows Japanese college students dressed in their traditional grey businessman suits attending a two-day employment exhibition in Tokyo.

Recém-formandos assistem palestra sobre emprego em Tóquio

01/05/2009 00h25

Taxa de desemprego no Japão sobe para 4,8% em março

A taxa de desemprego no Japão subiu quatro décimos em março em relação ao mês anterior e foi a 4,8%, um aumento mensal recorde do número de pessoas sem trabalho no país, informou hoje o governo.

Em comparação com março de 2008, o número de desempregados subiu pelo quinto mês consecutivo, com 670 mil pessoas, um recorde, até alcançar 3,35 milhões, segundo os dados preliminares do Ministério do Interior e Comunicações japonês, citados pela agência local de notícias Kyodo.

Desse total, 1,06 milhão de empregados foram demitidos, enquanto 1,03 milhão de pessoas pediram demissão no trabalho.

A taxa de desemprego de março ultrapassou as previsões de mercado, que apontavam para um aumento do desemprego de até 4,6%, segundo uma pesquisa realizada pela Kyodo.

Durante o ano fiscal de 2008, que terminou em março, a taxa de desemprego do Japão subiu três décimos com relação ao ano fiscal anterior e foi a 4,1%, devido ao aumento das rescisões de contratos pela crise econômica global, que se intensificou a partir do fim do ano passado.

Outro relatório governamental destacou que o número de ofertas de trabalho frente às pessoas que buscavam emprego em março ficou em 0,52, abaixo do 0,59 registrado no mês anterior.

O percentual indica que no mês passado houve 52 ofertas para cada 100 indivíduos que buscavam trabalho, o menor desde abril de 2002.

Segundo o Executivo, o número de ofertas de trabalho em março caiu 7,9% em relação ao mês anterior, enquanto o número de pessoas que buscavam emprego aumentou 4,6%.

Resumindo: ainda estamos sob influência da crise financeira internacional. Apesar de não especificar exatamente qual setor trabalhístico, não é difícil imaginar que o automobilístico e quaisquer outros que lidam com produção sejam os mais afetados.

Interessante notar também que do montante de 3,35 milhões de pessoas sem emprego, 1 milhão foi demitido (corte) e outro 1 milhão pediu as contas. Agora por que alguém deixaria o emprego num cenário com o atual, onde a oferta de emprego se reduz e a procura aumenta? Um palpite meu seria porque a pressão no serviço deva ter aumento exponencialmente. Se antes um funcionário tinha função x dentro de um setor de 10 pessoas, com cortes e ajustes feitos pela empregadora, o mesmo time agora com 5 funcionários deve cumprir tanto e até mais que o anterior de 10. O que causa excessiva responsabilidade, estresse e ainda gera o sentimento de estar sendo explorado por estar trabalhando o dobro recebendo o mesmo salário. E se tratando de Japão, o quadro piora uma vez que os japoneses se dedicam além do normal em seu emprego e não são poucos os que atravessam 10 horas diárias de batente.

Sinceramente espero que não demore muito para eu poder anunciar melhoras no quadro empregatício aqui do Japão, mas ainda é cedo. Tenho amigos que possuem ótimos currículos e mesmo assim sofreram longos meses na procura de uma posição. Está difícil para todo mundo, mesmo entre os japoneses. E todos sabemos que o mercado tende a ser protecionista quando a coisa fica feia. Por outro lado, nenhuma empresa sobrevive sem funcionários e estão ocorrendo novas contratações sim. O que muda é o grau de exigência, se antes era complicado, agora ficou quase impossível se você não cumprir os requisitos básicos.

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2 Respostas to “Desemprego recorde atinge Japão”

  1. Bah 03/05/2009 às 06:24 #

    A crise nao passa da noite pro dia, eh questao de tempo, mas de fato, ela passara algum dia. Mesmo que seja daqui a a alguns anos. Meu amigo que mora ainda ai na regiao de Ibaraki, disse que a fabrica dele aumentou a producao pq aumentou a linha, voltou as horas de zangyo pra ele, no setor de eletronicos. Entao, as coisas vao dando um jeito, as pessoas estao com mais consciencia, consumindo mais. Eh questao de tempo pra que as coisas se ajeitem, mas como antes, leva-se o dobro de tempo da estabilizacao. Mas ela ha de acontecer, algum dia.

  2. Jonas Ribeiro 03/05/2009 às 08:06 #

    Acredito que, apesar descordar do sistema da economia global, o fato de quase todos os paises estarem inteligados ajudaram a crise se espalhar rapidamente, mas também fará que a retomada seja rápida. Este ultimo mês o Brasil mudou o maior comprador de seus produtos, que sempre foi os EUA, mês passado perdeu o posto para a China.
    O mais terrivel éque os direitos do trabalhador vão na contra-mão do avança tecnológico, e que os trabalhadores precisam “doar” cada vez mais da sua vida para o patrão, isso é uma realidade em todos os lugares.

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