MovieS | The Dark Knight

16 ago

No Japão os filmes estrangeiros quase sempre estréiam com atraso. Não foi exceção com o novo filme do Batman, que estreiou aqui em terras nipônicas no último dia 9. Cansado de me desviar de discussões envolvendo o filme (odeio saber de detalhes antes de assistir qualquer coisa), fui correndo conferir o tão comentando The Dark Knigh.

É impossível falar sobre a película sem mencionar Heath Ledger. Como todos fiquei chocado e triste ao receber a notícia de que o astro em ascenção havia falescido tão repentinamente, morto em janeiro por overdose, porém após conferir sua última performace como Coringa sinto-me ainda mais abalado com a perda. Sua atuação sem dúvida representa um marco na adaptação de personagens de quadrinhos para o cinema. Não posso acreditar que não verei novamente o maior vilão do batman nessa série estonteante produzida por Christopher Nolan.

Mas esse post não é para ficar choramingando! Quero escrever aqui o que achei do mega-hit do momento The Dark Knight sem dó nem piedade. Preparem-se para a primeira das muitas resenhas de filmes feitas de acordo com meu modesto ponto-de-vista, clique no link abaixo.

Sinceramente quando ouvi que estavam produzindo um segundo filme do morcegão após o sucesso relativo do primeiro, Batman Begins, não fiquei nem um pouco surpreso. Com a (má) qualidade de filmes que andam fazendo ultimamente, qualquer coisa que dê um retorno razoável garante uma sequência. Nem preciso mencionar nomes, basta ver as séries que andam fazendo (vide Taxi 4 *vômito*).

Gostei muito do Begins, mas achei um filme razoável, nada demais. É claro que se você comparar com os últimos filmes cometidos por Joel Schumacher vai achar que é um clássico do tema super-heróis. Vilões que fogem dos já batidos coringa-duas caras-charada-penguim, um bat-móvel animal (bat-tanque), um Bruce Wayne com cara de Batman (finalmente!) e o melhor: elenco de apoio. Gary Oldman como Gordon, Morgan Freeman como Lucius Fox, Michael Caine como Alfred, Ken Watanabe e Liam Nelson como Ra’s Al Ghul (SPOILLER, foi mal pra quem não assistiu). Não preciso dizer mais nada, quem gosta de cinema sabe o que esses nomes significam. Performace de tirar o chapéu! PORÉM, tem sempre alguém para dar palpite no roteiro e alguns escorregões acabam por ocorrer (ex: Gordon dirigindo o bat-tanque? Qualé!). Não tem jeito.

Já o The Dark Knight dá um salto enorme quanto à qualidade da trama. Estamos falando de um orçamento representativo, um time de veteranos e uma fórmula já consagrada nos filmes de heróis. Eu sabia que ia ser um filme bom nos primeiros minutos, quando o coringa aparece de costas esperando sua carona apenas pela expressão corporal de Ledger. Linguagem totalmente comics, bons diálogos, trilha poderosa e frases de efeito (clichês mas oras, é um filme de super-heróis). Mega explosões, tiros sem miséria, muita porrada e brinquedinhos tecnológicos para ninguém botar defeito.

Parece que finalmente o povo de Hollywood está entendendo o que rola nas páginas das clássicas séries em quadrinhos. Qualquer pessoa que tenha lido Batman: Ano Um ou Batman, o cavaleiro das trevas de Frank Miller (quando ainda estava vivo) vai entender o que estou dizendo. E veja bem: essas histórias têm quase 20 anos! Nem acredito que descobriram que quem curte quadrinhos não é nenhuma criança desmiolada.

Gostei de TDK por que acho que é a primeira vez que assisto um filme de herói que não me trata como idiota. Os planos do Coringa e as estratégias do Batman foram muito felizes. Lembrei-me muito da animação para a TV de Bruce Timm, com todos aqueles gângsters e um Batman sombrio e sorrateiro.

Gostei:

  • Fotografia e Trilha sonora impecáveis – geralmente é a única coisa que não dá pra reclamar dos filmes de Hollywood. O tratamento que deram para as vozes ficou muito semelhante às frases em negrito estourado que vemos nos comics. O tom azulado e a paleta de cores juntamente com a fotografia dos arranha-céus de Chicago formou um conjunto icônico formidável!
  • Uniforme convincente do Herói – finalmente um uniforme decente para o morcegão, sem mamilos nem “calças de hockey”. A capa voadora é fantástica e finalmente ele consegue virar a cabeça (pasmem)
  • Grandes frases de efeito – tiradas diretamente das páginas dos quadrinhos, principalmente as do Coringa. “Why so serious?” virou um hit na internet.
  • Personagens carismáticos – Piadinhas entre Alfred e Bruce, assim como as tiradas sarcásticas de Lucius. Destaque, novamente, para o Coringa na cena da destruição do hospital.
  • Muita PORRADA – violência, explosões e mortes gratuitas o filme todo (é uma coisa boa oras)
  • Batman perde o controle com o Coringa – relação herói X vilão impagável, nenhum outro vilão da série entende e provoca o Batman como o palhaço. Gostei da evidência que deram para a fixação do Coringa pelo mascarado
  • Conclusão não conclusiva – gostei que o filme tenha terminado algum tempo após o clímax, deu tempo para respirar e se preparar para o próximo blockbuster

Não curti:

  • Voz do Batman – achei forçada demais! Se ele falasse menos talvez não incomodasse tanto, mas eu não entendi metade das coisas que ele disse com aquela voz de “você está pisando no meu pé”. Para mim o Batman é monosilábico.
  • Mais do mesmo – clichês como “A noite é mais escura antes do amanhecer” e “Da próxima vez compre uma arma americana”. Pombas! Eu sei que o filme é americano, não dá para ficar só nas bandeiras tremulantes nas cenas de impacto?
  • Personagens demais – no meio do filme já não sabia mais quantas histórias estavam rolando ao mesmo tempo. Acho que perdeu muito naquele lance da chantagem do administrador de contas e do chinês contador. Poderiam usar esse tempo para desenvolver melhor o Duas-caras.
  • Romancezinho salafrário – a relação tipo triângulo amoroso entre Harvey-Rachel-Bruce é totalmente insípida (e desnecessária). Fora que a atriz que faz o papel de “par” romântico de Bruce não convence em momento algum como a moçinha da história. Fiquei feliz que ela tenha explodido! Poderia ter sido mais cedo no filme.
  • Integridade inocente dos personagens – Harvey, Gordon e o Prefeito de Gotham (!) parecem modelos de perfeição quanto aos valores americanos. Ninguém é bonzinho de graça… nem o Batman, ele na verdade é um maluco que está vingando a morte dos pais socando todos que considera “bad guys”
  • Quedas, quedas e mais quedas – Poxa, eu sei que é chocante ver as pessoas caindo em queda livre, mas no final do filme já tinha perdido a graça. Acho que tem umas 5 ou mais cenas que alguém pula, cai ou é arremessado das alturas. Está parecendo a paródia de Star Wars feita pelo Frango Robô.

Mesmo assim, um dos melhores filmes que vi esse ano. Tanto que estou querendo ir novamente. Recomendadíssimo! Um filme que merece ser visto no cinema, com direito a pipoca e refrigerante. Se você não é nerd é capaz que goste mais ainda, já que não vai ficar naquela de “ah… nos quadrinhos é diferente”.

Esqueça o Batman, esse é o melhor personagem do filme. Tanto que fiquei imaginando como seria “A piada mortal” adaptado para a telona com uma performace dessas!

Muito do impacto do filme se deve à sala de cinema, portanto escolha bem. Por sorte encontrei um ótimo lugar para ver meus filmes aqui em Tóquio; numa rede em Shinjuku super elegante, confortável e com som e imagem para ninguém botar defeito. Mesmo com a sala lotada não ouvi nenhum piu da platéia. Fiquei até desconfiado se os japas entenderam o filme, já que os quadrinhos americanos não fazem muito sucesso por aqui e duvido muito que eles conheçam a animação ou outros produtos que não os filmes anteriores. Na saída não ouvi muitos comentários em japonês, mas ouvi alguns em inglês e francês (sim, gaijin aqui é mato). Será que no Brasil a galera bateu palmas no final do filme como fizeram com Spiderman?

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3 Respostas to “MovieS | The Dark Knight”

  1. criticaconstrutiva 16/08/2008 às 19:03 #

    é um filmaço! eu acredito em Cristopher Nolan!

  2. Tiago 16/08/2008 às 19:44 #

    Na sessão que eu fui, ninguém bateu palmas, apesar de merecer 🙂

    E que história é essa de “quando ainda estava vivo”? Frank miller morreu e eu não sabia?

  3. ShigueS 17/08/2008 às 06:29 #

    Morreu sim, se não me engano foi logo após escrever Sin City… depois nunca mais se teve notícia desse magnífico roterista. Agora, já o diretor de cinema é outro caso…

    Brincadeiras a parte, Miller fez grandes roteiros, mas também publicou bombas fenomenais. No final das contas acabou fazendo muita coisa por grana. Duvida? Dê uma olhada no trailer do Spirit para ter uma idéia do que estou falando!

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