Gu Gone

25 nov

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Podem acreditar, o dia derradeiro chegou. Guga finalmente pegou suas tralhas e voltou pra casa. Casa? Mas que casa? A nossa verdadeira casa, Brasil. Apesar de ter vivido aqui no Japão por 3 anos e meio não consigo pensar que aqui seja a casa dele. Afinal de contas, ele nasceu, cresceu e viveu a maior parte de sua vida em São Paulo, assim como eu. Mesmo que se passe 20 anos, as lembraças, as raízes e a nossa cultura pertecerão sempre à pátria mãe.

E por falar em mãe, a minha ficou felicíssima em receber seu caçula de volta depois de tanto tempo sem dar um abraço ou receber um afago dele. Meus pais estavam aguardando ansiosamente a volta do Gu. Tanto que nas últimas vezes que eu liguei para casa o assunto era sempre o mesmo: “O Guga já sabe o dia que vai voltar?“, “Já comprou a passagem?” e eu “Ainda não! Ah, e EU estou bem viu?“.

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Quinta-feira, dia 22 de novembro, vôo das 22:30h. Eu acabara de sair da escola e ido direto ao minúsculo apato do Guga quando percebi que não poderia ajudar em muita coisa. Não tinha muito o que fazer, mas achei que seria importante estar presente nos preparativos da viagem e ajudar no que desse. Afinal, depois de tudo o que o meu irmãozinho fez por mim, não dava simplesmente pra levar como se fosse uma viagem comum. Quis dar meu apoio moral, assim como fiz quando ele veio.

Lembro do meu pai e eu torcendo os bolsos no aeroporto para juntar algum dinheiro e trocar em ienes, aposto que nossas economias de meses juntas não duraram nem uma semana aqui. Mas acho que o que valeu foi o esforço. Depois foi o próprio Guga que ajudou tudo mundo.

O que também me trouxe muitas lembranças foi o aeroporto. O mesmo onde desembarquei há 10 meses atrás. Ainda lembro de estar me sentindo meio que em transe quando desci do avião. Toda a situação me fez relembrar a minha própria viagem ao Japão. Também me lembrou o sentimento que tive quando o meu irmão veio ao Japão; na minha frente, antecipando o que eu só viria a fazer muito mais tarde. Naquela hora o mesmo sentimento voltara, eu também quis para casa. Mas eu sei, assim como sabia na época que ele veio, que ainda não era a hora certa para mim.

E como todo bom irmão mais velho eu fiquei preocupado com o vôo e pedi pro Guga me ligar assim que pisasse no Brasil, o que é claro não aconteceu. Então eu mesmo tomei partido e liguei. Quem atendeu foi minha mãe, voz super feliz e carregada de emoção. O Guga estava com eles no carro voltando para São Paulo. É claro que ninguém me deu a menor bola ao telefone, mas pelo menos eu fiquei tranquilo em ver que estava tudo bem. Depois bateu aquele ciúminho básico de irmão mais velho que fazia tempo que não sentia. Mas como sempre fui o mais mimado da casa, não há do que reclamar.

Já ouvi alguns relatos escabrosos de gente que volta pra casa depois de ter vivido fora um tempo. Você vê aquilo que estava acostumado a ver todos os dias com indiferença com outros olhos: os de um estrangeiro. Pelo que sei não é uma sensação prazerosa, mas deve ser no mínimo interessante. Estou curioso para saber se o meu irmão teve algum choque ao chegar na perigosíssima cidade de São Paulo depois de viver numa cidade onde a crimalidade é praticamente nula.

Deixando o país do sol nascente o Guga deixou para trás uma legião de amigos que o adoram. Muitos deles vão sentir bastante falta da farra que se podia curtir com o sempre disposto Doido. O que será que o espera na terra abençoada onde é sempre verão?

Ah, o futuro. Quem sabe dele? Apesar da felicidade em voltar para casa, se podia ver claramente nos olhos do Guga a preocupação com o amanhã. “Afinal o que farei quando chegar lá?” era o que dizia seu semblante. Eu arriscaria um palpite e diria que ele passará um bom tempo num lugar bem tranquilo, junto com nossos pais.

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Só para constar. Depois de grande pressão do governo americano, talvez para amenizar a imagem antipática perante os cidadões do mundo, o governo japonês agora tem o mesmo processo de indentificação de estrangeiros nos aeroportos que o EUA. Fotos, impressão digital e raios-x até na sola do pé farão parte da rotina dos viajantes interessados em conhecer o Japão. Só espero que o turismo não caia 20% como aconteceu lá na terrinha do tio sam. Ah sim, e não se esqueça: nada de embarcar portando material nuclear ou radioativo! Pode incomodar os demais passageiros.

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2 Respostas to “Gu Gone”

  1. TIAGO 26/11/2007 às 13:03 #

    Bom,ele teve a chance de fazer a diferença, assim como vc.

    []’s

  2. MARIANA TRÉS 11/04/2010 às 14:13 #

    QUE LINDA HISTÓRIA!!!!!!!!!AINDA BEM QUE ELE VOLTOU!!!!

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