7 de setembro

7 set

Sexta-feira comemoramos o dia da Independência Brasileira antecipadamente por estarmos no outro lado do hemisfério. Feriado no Brasil mas não aqui no Japão, trabalhei normalmente, inclusive no sábado e não encontrei ninguém on-line na minha lista, pelo menos o pessoal da terrinha. Na corrida rotina é muito fácil se esquecer dessa data importante para nossa nação. Só me dei conta disso ao comentar com uma amiga japonesa que naquela sexta se comemorava o dia da independência do meu país. Ela, talvez por não ter entendido bem o que eu quis dizer, perguntou “é um dia importante para os brasileiros?“. E eu não soube responder ao certo. “Deveria ser, mas é de fato?” pensei com profunda indagação. Quer dizer, é claro que é importante, mas quem realmente sente isso no peito?

É comum quando estamos no estrangeiro tendermos a exaltar mais nossa pretensa nacionalidade para os demais. Pessoas viram torcedoras fanáticas de futebol, matriculam-se em escolas de dança de salão ou passam a jogar capoeira com a intenção de manifestar seus característicos traços culturais em um país estranho. Não que isso seja negativo, mas acho que não é ideal se a pessoa o faz simplesmente para se destacar entre os outros e não por amor à cultura nacional. As pessoas se surpreendem quando digo que sou brasileiro mas não gosto de futebol e nem sei sambar. E qual é o problema? Sou menos brasileiro por gostar de Aikido ao invés de treinar capoeira? Pensando um pouco posso dizer que a grande maioria dos meus amigos detesta samba, pagode e outras músicas típicas brasileiras. Eu mesmo sou bem restrito à musicalidade brasileira, salvo a nossa divina MPB e casos raros de samba e até mesmo sertanejo.

Certa vez estava distraído fazendo compras no kombini, esperando minha vez na fila do caixa, quando de repente começa a tocar “Você é linda” de Caetano Veloso nas caixas de som. Olha, é indescritível o sentimento, pois você está longe de casa, no meio de um povo que não te conhece nem te entende e muitas vezes acha que não tem nada a ver com você. Então subitamente todo o ambiente é preenchido por aquela magnífica sonoridade baiana que transforma tudo. É como se um pedaço de casa tivesse atravessado o oceano para me dar um breve abraço e dizer “estamos com você“. E, olhando os japoneses tão concentrados em sua rotina, ao som de um música como essa me faz pensar que a cultura realmente rompe barreiras e aproxima as pessoas.

Feliz Dia da Independência!

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5 Respostas to “7 de setembro”

  1. TIAGO 10/09/2007 às 18:18 #

    O que posso dizer é: ainda bem não SABEMOS dançar. hehe

  2. Ingrid 16/09/2007 às 12:40 #

    Que texto lindo! Eu nunca fui nacionalista, mas quando estava em Londres e mesmo aqui na Franca, vivo me espantando com a falta desconhecimento a respeito do Brasil. Nao sei quantas vezes falei que no Braisil nao se fala espanhol e que tem muita, mais muita gente mesmo que nao gosta so de samba e carnaval. E que isso seria impossivel jah que eh um pais enorme e cheio de mistura cultural, entao resolvi falar bastante do Brasil quando me dao oportunidade. Quem sabe assim, eu nao atravesso o oceano e dou um abraco no meu pais!
    Beijos

  3. Daniel 08/10/2007 às 03:33 #

    Oi Primo!!
    Que saudades né?
    Uma musiquinha pode realmente nos levar a lugares tao distantes e de uma maneira mágica e especial, não é verdade??
    As vezes acontece isso aqui também… nao só lembranças de lugares, mas de tempos passados também… muuuuuuuuito loko isso, né??
    Rs…
    Tudo de bom pra vc !!!
    Não esquece do primo aqui não, heim??
    Um forte abraço!!
    Daniel

  4. Bah 08/10/2007 às 10:23 #

    Bom, esse lance da música brazuca em kombini não sei se vc sabe, mas diz a lenda que eles tocam músicas brasileiras pra avisar aos outros japoneses que tem braasileiro dentro do estabelecimento. Antigamente, eles avisavam em alto e bom som nos alto-falantes. Como isso é discriminação, então essa é a forma deles se “prevenir” contra qq tipo de situação. MInha colega de serviço já entrou num Jusco e anunciaram a entrada dela e que era pros japas tomarem cuidado com as bolsas. Então, depois dessa eu acredito mesmo nessa história.

    Kisu

  5. shigues 08/10/2007 às 14:41 #

    Olha Bah, eu acho que isso até pode existir, mas tem muito de imaginário brasileiro nisso também. Muita gente tem mania de perseguição e fica imaginando coisas. Não dá pra ficar levando tudo a sério assim, pode ser que nesse Jusco que sua amiga foi tenha havido diversos furtos e os japoneses ficaram traumatizados. Se você tentar olhar pela perspectiva deles, vai ver que apesar de discriminatório faz sentido (no contexto deles). As vezes nem era com ela o aviso e ela se sentiu atingida. No meu caso, esse kombini é um que visito todas as manhãs antes de ir para o trabalho e todos os vendedores me conhecessem, acho muito difícil eles terem esse trabalho sendo que eu já estava na loja pelo menos 5 minutos fazendo compras. Mas vai saber, Japão é um lugar de loucos mesmo…

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