Lost in Translation

29 ago

Eu sempre encontro coisas interessantes enquanto navego pela internet. Talvez seja algum resquício da minha ancestralidade portuguesa (por parte de mamãe): eu adoro descobrir novos mares. Se o termo para vasculhar a net é “navegar” então é mais que certo que eu esteja por aí aborto da minha própria caravela. Diferente de explorar o mundo real, a internet proporciona um deliciamento cultural no conforto de onde se estiver, a qualquer hora do dia ou da noite, a um custo baixíssimo e sem ter que pegar nenhum táxi ou enfrentar filas quilométricas. Porém o meu estilo de navegar deve ser mais parecido com o dos vikings do que com o dos portugueses.: viajando sem direção e pilhando tudo que encontrar que tenha algum valor (hum, talvez eles não sejam tão diferentes assim).

Pois bem, há muitas coisas que eu gostaria de partilhar, mas poucas têm a ver com o tema desse blog. Aliás, eu não pensei ainda em qual seria o tema do blog, mas acho que as coisas devem girar mais ou menos em torno de um assunto central: a jornada pessoal. No meu caso, como estou no oriente e amo o Japão, acho legal focar por aqui.

Esse post provavelmente é o primeiro da linha cultural. A dica vai para “Lost in translation“, aclamado filme de Sofia Coppola que ganhou o Oscar de melhor roteiro original e outros 67 prêmios ao redor do globo. No Brasil ficou traduzido como “Encontros e Desencontros“, um título que não me agrada muito por não transmitir a essência do filme como no título original, na minha modesta opinião. Afinal, o filme trata de uma pessoa que está perdida e ilhada, sem poder se comunicar com o mundo e se sentindo um peixe fora d’água. No caso a personagem vivida por Bill Murray se vê deslocado no Japão, terra totalmente alheia à sua realidade.

Quando eu assisti esse filme foi como se eu tivesse comido alguma coisa com muita vontade e que de repente essa coisa tivesse revirado meu estômago. Eu só sabia de que se tratava de uma história sobre o Japão e não esperava me deparar com as circunstâncias que o filme mostra. Lembro até de ter ficado com medo de vir para cá e até pensei em desistir, apesar da mensagem positivista do filme.

Dizem que o Japão é o país dos fugitivos. Das pessoas que têm medo de enfrentar sua realidade e buscam um outro mundo para que possam recomeçar e talvez até se encontrar. Eu acho que muito disso é verdade e o filme demonstra isso com uma clareza e sensibilidade incríveis. Recomendo a película a todos que não assistiram ainda, ótima pedida para aquele fim de tarde de domingo.

Não me considero um fugitivo, sou mais um explorador. A bordo do meu barquinho vou conhecendo os diferentes mundos que nos rodeiam, escrevendo memórias num pedaço de papel e lançando ao mar para a sorte levar. Quem sabe um dia encontre algum tesouro perdido por aí…

2 Respostas to “Lost in Translation”

  1. Aline Shigemoto 30/08/2007 às 05:06 #

    Carammmmbaaa… adorei seu blog e as coisas que vc escreveu, e olha que ainda nem deu tempo de ler tudo… rs… mais ja deu pra tomar um banho de cultura… rs… nossa estava procurando algo sobre o castelo de Ogaki e vim parar aqui, e por uma incrivel conhecidencia seu sobrenome é igual ao meu!! Shiguemoto o meu é sem o “u” mais isso foi um erro do cartório quando meu pai nasceu… rs…
    Moro em Ogaki, fazem dois meses que cheguei aqui no Japão. Mais blz, deixei um recado aqui, porque realmente gostei, muito interesante, voltarei mais vezes…
    Até mais…

Trackbacks/Pingbacks

  1. Puchi Hard: O Bruce Willis Japonês « A viagem de SHIGUES - 18/03/2008

    […] filme “Encontros e Desencontros” tem uma cena onde Bill Murray encontra uns japoneses na night e um deles tem apelido de […]

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