Acabei de ler essa notícia hoje de manhã na Folha Online:
Recém-formandos assistem palestra sobre emprego em Tóquio
01/05/2009 00h25
Taxa de desemprego no Japão sobe para 4,8% em março
A taxa de desemprego no Japão subiu quatro décimos em março em relação ao mês anterior e foi a 4,8%, um aumento mensal recorde do número de pessoas sem trabalho no país, informou hoje o governo.
Em comparação com março de 2008, o número de desempregados subiu pelo quinto mês consecutivo, com 670 mil pessoas, um recorde, até alcançar 3,35 milhões, segundo os dados preliminares do Ministério do Interior e Comunicações japonês, citados pela agência local de notícias Kyodo.
Desse total, 1,06 milhão de empregados foram demitidos, enquanto 1,03 milhão de pessoas pediram demissão no trabalho.
A taxa de desemprego de março ultrapassou as previsões de mercado, que apontavam para um aumento do desemprego de até 4,6%, segundo uma pesquisa realizada pela Kyodo.
Durante o ano fiscal de 2008, que terminou em março, a taxa de desemprego do Japão subiu três décimos com relação ao ano fiscal anterior e foi a 4,1%, devido ao aumento das rescisões de contratos pela crise econômica global, que se intensificou a partir do fim do ano passado.
Outro relatório governamental destacou que o número de ofertas de trabalho frente às pessoas que buscavam emprego em março ficou em 0,52, abaixo do 0,59 registrado no mês anterior.
O percentual indica que no mês passado houve 52 ofertas para cada 100 indivíduos que buscavam trabalho, o menor desde abril de 2002.
Segundo o Executivo, o número de ofertas de trabalho em março caiu 7,9% em relação ao mês anterior, enquanto o número de pessoas que buscavam emprego aumentou 4,6%.
Resumindo: ainda estamos sob influência da crise financeira internacional. Apesar de não especificar exatamente qual setor trabalhístico, não é difícil imaginar que o automobilístico e quaisquer outros que lidam com produção sejam os mais afetados.
Interessante notar também que do montante de 3,35 milhões de pessoas sem emprego, 1 milhão foi demitido (corte) e outro 1 milhão pediu as contas. Agora por que alguém deixaria o emprego num cenário com o atual, onde a oferta de emprego se reduz e a procura aumenta? Um palpite meu seria porque a pressão no serviço deva ter aumento exponencialmente. Se antes um funcionário tinha função x dentro de um setor de 10 pessoas, com cortes e ajustes feitos pela empregadora, o mesmo time agora com 5 funcionários deve cumprir tanto e até mais que o anterior de 10. O que causa excessiva responsabilidade, estresse e ainda gera o sentimento de estar sendo explorado por estar trabalhando o dobro recebendo o mesmo salário. E se tratando de Japão, o quadro piora uma vez que os japoneses se dedicam além do normal em seu emprego e não são poucos os que atravessam 10 horas diárias de batente.
Sinceramente espero que não demore muito para eu poder anunciar melhoras no quadro empregatício aqui do Japão, mas ainda é cedo. Tenho amigos que possuem ótimos currículos e mesmo assim sofreram longos meses na procura de uma posição. Está difícil para todo mundo, mesmo entre os japoneses. E todos sabemos que o mercado tende a ser protecionista quando a coisa fica feia. Por outro lado, nenhuma empresa sobrevive sem funcionários e estão ocorrendo novas contratações sim. O que muda é o grau de exigência, se antes era complicado, agora ficou quase impossível se você não cumprir os requisitos básicos.














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